A filha de 6 anos de Aurora chegou sozinha à fronteira dos Estados Unidos e passou mais de meio ano em um abrigo para crianças migrantes enquanto sua mãe, que já estava no país, trabalhava para tirá-la de lá. Leia mais (07/28/2026 - 19h03)
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28.jul.2026 às 19h03
San Francisco (EUA) | Reuters
A filha de 6 anos de Aurora chegou sozinha à fronteira dos Estados Unidos e passou mais de meio ano em um abrigo para crianças migrantes enquanto sua mãe, que já estava no país, trabalhava para tirá-la de lá.
As duas finalmente se reencontraram no final de março.
"Ficamos muito felizes", disse Aurora, 24, que, assim como outras pessoas nesta reportagem, falou sob a condição de ser identificada apenas pelo primeiro nome.
Dias depois, no entanto, mãe e filha foram detidas pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) e enviadas para um centro de detenção familiar no Texas, mostram os registros.
Elas estão entre mais de 12 mil pessoas presas pelas autoridades de imigração dos EUA após denúncias do Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR, na sigla em inglês) durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, de acordo com dados internos do governo obtidos com exclusividade pela Reuters.
O ORR foi criado em 1980 para reassentar refugiados que fugiam de guerras e perseguições. Desde o início dos anos 2000, a agência também ficou encarregada de abrigar crianças migrantes desacompanhadas que chegam à fronteira dos EUA com o México, como a filha de Aurora.
O cuidado dessas crianças historicamente foi mantido separado da fiscalização imigratória. Uma lei de 2008 buscou garantir que elas fossem colocadas no ambiente menos restritivo possível e liberadas da detenção o mais rápido possível com segurança, independentemente da situação legal de seus responsáveis.
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Isso significava que famílias migrantes podiam se reunir sem medo de serem alvo do ICE, mesmo que estivessem no país ilegalmente.
O governo Trump adotou uma abordagem drasticamente diferente. Desde janeiro de 2025, os dados mostram que o ORR compartilhou mais de 460 mil "pistas" com o ICE sobre crianças desacompanhadas, seus responsáveis —geralmente pais ou outros parentes— e membros adicionais do domicílio, deixando-os vulneráveis à detenção e deportação.
Embora a Reuters e outros veículos tenham reportado sobre a crescente cooperação entre o ORR e o ICE, esta reportagem é a primeira a revelar a escala das informações compartilhadas para fins de fiscalização imigratória.
Entrevistas com famílias migrantes, defensores legais e funcionários atuais e ex-funcionários do governo dos EUA ilustram as implicações de longo alcance dessa mudança de política e seu custo humano.
Jen Smyers, que atuou como diretora-adjunta do ORR durante o governo de Joe Biden, disse que as salvaguardas contra o compartilhamento de dados com o ICE foram "completamente revertidas".
"Eles estão transformando um programa de bem-estar infantil em arma para realizar mais deportações", disse ela.




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