52% dos entrevistados em pesquisa fazem ao menos três viagens anuais, e 34% gastam no mínimo R$ 10 mil por ano

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27.jun.2026 às 10h12

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Turistas com mais de 50 anos têm procurado viagens personalizadas. Com mais tempo disponível, sobretudo após a aposentadoria, esse público aproveita a baixa temporada e prioriza conforto e segurança.

O Brasil tem 62 milhões de pessoas com mais de 50 anos, o equivalente a 28,5% da população do país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse grupo movimenta R$ 1,8 trilhão por ano em consumo, valor que pode chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044, aponta o estudo Mercado Prateado, do data8, centro de pesquisa especializado em longevidade, publicado em 2025.

Segundo a pesquisa do data8 "Turismo 60+: o Brasil que viaja depois dos 60", feita entre março e abril de 2026, 52% dos entrevistados disseram fazer ao menos três viagens anuais, e 34% afirmaram gastar, no mínimo, R$ 10 mil por ano com lazer. O estudo foi apoiado pelo Ministério do Turismo e idealizado pelo Fórum de Turismo Expo 60+.

Os interesses desse público não são todos iguais, afirma Dimas Moura, 68. Ex-profissional de marketing, Moura transformou o hobby de viajar em uma nova carreira como influenciador digital e empresário, e fundou há dois anos uma agência voltada para quem tem acima de 50 anos. Ele conta que conhece 50 países, todos os estados brasileiros, além de 400 cidades.

Segundo Moura, muitos já visitaram os principais roteiros nacionais e internacionais. Entre as experiências procuradas estão intercâmbios que permitam aprender inglês ou italiano suficiente para ter experiências gastronômicas, visitar vinícolas e explorar cidades no exterior.

Para o empresário, a infraestrutura do setor tem evoluído para atender esse público, com quartos térreos adaptados, suportes de segurança em banheiros e pisos antiderrapantes, mas é preciso melhorar os roteiros. "É um grande erro pegar a mesma coisa que você oferece para adultos e entregar para um idoso."

Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), diz que o setor tem deixado para trás pacotes padronizados. "A gente não faz mais aquela viagem com o transfer do aeroporto para o hotel, um city tour e pronto. Hoje as pessoas querem vivenciar o destino." Também é alta a procura por pacotes completos, com aéreo, transfer, passeios e seguro-saúde. "É um público responsável com as finanças, mas que pensa: já trabalhei bastante, agora vou curtir", diz.

O ritmo também importa. Moura lembra que preencheu cada minuto com atividades na primeira excursão que organizou, mas recebeu uma avaliação inesperada. "Você quase matou a gente. Sabe o que a gente quer? Que você faça um passeio de manhã e à tarde deixe a gente quieto."

Agências especializadas oferecem o chamado "slow travel", para quem quer passear sem pressa, além de cuidar da escolha dos horários de voos e transportes terrestres até de seguros de saúde com cobertura para doenças preexistentes. "Não podemos tirar um seguro só para vender o pacote. A preocupação com o bem-estar é um fator decisivo", diz a presidente da Abav, que vê um processo de atualização constante nas agências.

Segundo a fundadora da Expo Fórum de Turismo 60+, Ana Carolina Kuwabara, esse mercado está em plena expansão e interessado em se especializar. "Essa geração com 50, 60 anos ou mais tem muito mais qualidade de vida, saúde e disposição", afirma.

O turista valoriza roteiros detalhados, impressos e o suporte de agentes que "peguem pela mão". Para Ana Carolina Kuwabara, as marcas precisam abandonar estereótipos, pois esse público busca desde aventura a destinos históricos.

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O sucesso também depende do atendimento humanizado e da infraestrutura: 74% dos entrevistados pelo data8 não sentem que as viagens são pensadas para sua faixa etária.