O mês de agosto é marcado pelo trabalho de conscientização e o incentivo do aleitamento materno. Representado pela cor dourada, o período serve para ampliar as informações e ajudar a romper com estereótipos relacionados à amamentação. A reportagem de O SÃO GONÇALO ouviu uma consultora internacional de lactação e amamentação e uma mãe de duas crianças.O processo de amamentação é o primeiro contato que o bebê terá com alimentos, mas a sua importânc

O mês de agosto é marcado pelo trabalho de conscientização e o incentivo do aleitamento materno. Representado pela cor dourada, o período serve para ampliar as informações e ajudar a romper com estereótipos relacionados à amamentação. A reportagem de O SÃO GONÇALO ouviu uma consultora internacional de lactação e amamentação e uma mãe de duas crianças.

O processo de amamentação é o primeiro contato que o bebê terá com alimentos, mas a sua importância ultrapassa esse ponto e se torna uma questão de saúde e qualidade de vida à criança uma vez que, por meio do leite, recebe nutrientes e vitaminas, que, inclusive, previnem doenças.

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“A amamentação é fundamental nos primeiros anos de vida, pois fornece nutrientes essenciais e únicos para o crescimento e desenvolvimento infantil. O leite materno contém imunoglobulina A (anticorpos), lactoferrina e outros componentes que fortalecem a resposta imunológica, assim como está constantemente mudando sua composição para se adaptar às necessidades do bebê! Também contribui para a formação de uma microbiota intestinal saudável por meio dos oligossacarídeos do leite humano (HMOs). Seus nutrientes e fatores bioativos favorecem o desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança. Além disso, está associada à redução do risco de infecções, obesidade e algumas doenças metabólicas. Assim, a amamentação atua simultaneamente na nutrição, imunoproteção e maturação fisiológica do organismo”, disse a enfermeira neonatologista e pediátrica há 12 anos, consultora internacional de lactação e amamentação (IBCLC), Lorrane Sarmento.

“É o único leite perfeito e feito sob medida, já que a saliva do bebê em contato com o seio passa informações pro corpo da mãe, que adapta a produção exatamente de acordo com a necessidade do bebê naquele momento”.

A criança que recebeu leite materno está menos propensa a ter determinadas doenças e até mesmo à morte neonatal em razão dos nutrientes fornecidos pelo leite.

“A amamentação está associada a menor ocorrência de diarreia, infecções respiratórias, otite média e outras infecções, além de menor risco de obesidade posteriormente. O início precoce também está relacionado à redução da mortalidade neonatal”, disse a especialista.

A amamentação deve durar quanto tempo?

O Ministério da Saúde recomenda que os bebês sejam alimentados com leite materno até os 2 anos, podendo passar dessa idade. Além disso, é indicado que nos primeiros 6 meses a criança receba apenas o leite da mãe.

Essa indicação é reforçada pela especialista Lorrane Sarmento, que acrescenta que se a alimentação através do leite se prolongar, pode haver ainda mais benefícios para a saúde infantil.

“O quanto fizer sentido para mãe e bebê, quanto mais tempo de amamentação, maiores são os benefícios para a saúde da mãe e do bebê. A recomendação do Ministério da Saúde é que os bebês sejam amamentados exclusivamente (somente seio materno, sem água, chás ou sucos) até os 6 meses em livre demanda, sem controle do tempo que o bebê mama e sem intervalos pré-definidos (como a cada 2 ou 3h, por exemplo). Os intervalos variam de acordo com a necessidade do bebê, podendo variar de 1 a cada 4-5h”, reforça a especialista.

Porém, antes de determinar quanto tempo a criança deve se alimentar apenas de leite materno, muitas mulheres enfrentam insegurança e dificuldades de amamentar, justamente pelas altas expectativas e em alguns, casos, dúvidas em relação à quantidade e qualidade do líquido. É então que surge a frase popularmente conhecida como “leite fraco”, que é um mito que gira em torno do tema.

“Não existe leite fraco, todo leite materno é perfeito para o bebê. Essa insegurança em relação à qualidade do leite vem de uma falta de entendimento do comportamento do bebê, assim como da fisiologia da produção de leite. Existe a expectativa de que a mãe produza leite em grandes quantidades após o parto, assim como a crença de que o bebê precisa mamar muito desde o primeiro minuto de vida. Quando não há compreensão desses fatores, tende-se a pensar que todo choro é por fome, gerando insegurança na pessoa que amamenta”, explicou a enfermeira.

Como ter uma boa experiência na amamentação?

De acordo com a enfermeira, para que o processo de amamentação seja uma experiência sem traumas tanto para a mulher quanto para o bebê, é preciso que esteja munido de informações confiáveis ainda na gravidez e contar com a ajuda de profissionais que irão ajudar ensinando a maneira correta de alimentar o bebê.

“Embora a amamentação seja natural, ela não é intuitiva e precisa ser aprendida, tanto pela mãe como pelo bebê. A melhor forma de conduzir esse processo é com apoio especializado de uma profissional empática, que acolha as inseguranças da mãe nesse momento de tanta vulnerabilidade”, disse a enfermeira.

A explicação teórica por parte da profissional foi sentida na prática por Tifany Coutinho, de 39 anos e mãe de Arthur Aquino de 2 anos e Manuela Aquino, de 4 meses. A primeira experiência com a amamentação do filho mais velho não foi tão simples e exigiu tempo e paciência para ambos os lados.

“Na primeira gestação, eu sofri bastante, porque não tinha conhecimento suficiente, embora tivesse estudado e consultado com algumas amigas, mas na hora que a gente vive ali, a gente vê que acaba sendo suscetível ao erro. Então, um dos meus seios ficou bem ferido, porque eu não estava entendendo que a pega estava errada. Eu achando que aquela dor era a dor normal de sentir, não era. Acabou que ficou ferido e eu tive que ficar um mês sem dar aquele seio para ele para esperar cicatrizar, porque não estava cicatrizando”, relembrou.

Agora, com mais informações e especialmente, experiência, Thifany passa pelo processo pela segunda vez de maneira mais fácil, e dá dicas para outras mães.