Em meio ao avanço das telas no dia a dia de crianças e adolescentes, uma tradição que atravessa gerações volta a ganhar protagonismo durante a Copa do Mundo. O álbum de figurinhas ressurge como uma brincadeira capaz de reunir pais, filhos e avós em torno de uma atividade simples, divertida e repleta de memórias afetivas. Além da nostalgia, o hábito incentiva a convivência familiar, promove encontros presenciais e devolve espaço a uma forma de entretenimento que marcou a infância de milhões de brasileiros.

Muito além da coleção, especialistas destacam que completar o álbum estimula importantes habilidades cognitivas e socioemocionais. Organizar figurinhas, identificar números, negociar trocas e acompanhar o progresso da coleção favorecem a atenção, a memória, o raciocínio lógico, a percepção visual e o desenvolvimento das habilidades sociais. Para o professor de Psicologia da Wyden, Judson Alves, a atividade também ensina diálogo, cooperação, respeito às regras e tolerância às frustrações, competências fundamentais para crianças e adolescentes. “Diferentemente de atividades individuais, ele cria uma necessidade real de interação. Você não completa um álbum sozinho; precisa do outro. Precisa conversar, trocar e negociar. E é nesse processo que acontecem coisas muito interessantes sob a ótica do desenvolvimento psicológico, como o diálogo direto, o amadurecimento social, a leitura de expressões e até a tolerância à frustração”, acrescenta o especialista.  O álbum ainda amplia o repertório cultural dos pequenos ao apresentar países, bandeiras, uniformes e diferentes culturas de forma lúdica. Em casa ou na escola, pode servir como ferramenta educativa, aproximando conteúdos de Geografia, História, Matemática e Educação Física de maneira leve e envolvente. A participação dos pais também é apontada como essencial para orientar as trocas, incentivar a convivência saudável e transformar a experiência em um momento de qualidade em família. “Podem existir trocas injustas, exclusões ou até competitividade excessiva. Por isso, o papel dos adultos, como os pais, responsáveis e professores, por exemplo, é fundamental para mediar essas experiências e garantir que elas sejam saudáveis”, finaliza o professor do curso de Psicologia da Wyden.