Álbum das eleições para governo e Senado em Santa Catarina tem mais da metade dos rostos conhecidos a três meses do primeiro turno.
Álbum de figurinhas das Eleições 2026 tem seis pré-candidatos anunciados por partidos ao governo e figuras ainda a serem conhecidas na disputa (Arte: Ben Ami Scopinho, NSC Total)
O álbum das eleições para o governo e o Senado em Santa Catarina já tem mais da metade dos rostos conhecidos pelos eleitores a três meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O cenário político acirrado dos últimos meses fez com que os partidos trocassem figurinhas meses antes do prazo e antecipou as definições no Estado.
A confirmação oficial de quem serão os candidatos deve ocorrer no início do mês que vem, após as convenções dos partidos, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, conforme o calendário eleitoral. Mas na prática os pré-candidatos já estão ativos em visitas pelo Estado e publicações nas redes sociais.
Segundo os dirigentes dos principais partidos envolvidos nas eleições em SC, o momento atual tem sido destinado à preparação da campanha, com definição de estruturas de comitês e de equipes de comunicação e apoio. A definição dos nomes de suplentes nas candidaturas ao Senado são as principais interrogações nas candidaturas dos três maiores partidos. No entanto, são escolhas que podem ficar para o “apagar das luzes” das convenções. Nas chapas dos partidos menores, as vagas ao Senado ainda estão em aberto e são figurinhas a serem encontradas.
O professor de Administração Pública e pesquisador em Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Esag Udesc), Daniel Pinheiro, avalia que o momento atual historicamente é de maior silêncio nos partidos, com preparação da campanha e expectativa por possíveis desistências ou acordos de última hora.
— A campanha começou com várias polêmicas desde dezembro, com a disputa pelas candidaturas ao Senado no PL, o que interferiu também na corrida ao governo, que teve alianças surgindo na centro-direita, mas essas costuras são naturais neste momento. No ano de Copa do Mundo, veio bem a calhar porque tirou um pouco a política do cenário, mas os bastidores estão bem fortes, até porque agora é o momento decisivo para a corrida nacional — avalia.
O governador Jorginho Mello (PL) já tem o time escalado desde o início do ano, quando confirmou como vice o então prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), e bateu o martelo para lançar chapa pura ao Senado, com Carlos Bolsonaro e Carol de Toni (PL), encerrando um impasse que durou meses no partido.
Com o time da majoritária escalada, o trabalho atual tem se dedicado a etapas internas como montagem do comitê central de campanha, em Florianópolis e de pelo menos 10 comitês regionais pelo Estado. O partido também vem buscando definir quanto de recursos virá da direção nacional do partido para os pré-candidatos de SC.
Por fim, o partido já prepara a convenção da legenda, que deve ocorrer dia 1º de agosto, na Capital. A definição dos suplentes ao Senado deve ser a última interrogação a ser respondida.
— Essa é uma definição que vai ser tomada aos 48 do segundo tempo. Não existe compromisso com ninguém. Tem várias especulações, muita gente se postulando para ser, mas a gente tem conversado com os candidatos, com o governador, e é uma decisão que vai ser tomada em conjunto, mais próximo das convenções. Inclusive, porque essas vagas podem ajudar a abrigar mais partidos ou serem direcionadas a setores, como agro ou tecnologia — detalha o vice-presidente estadual do partido Bruno Mello.
Nas redes sociais, na última semana o governador dedicou tempo para responder a críticas do presidente Lula (PT) feitas durante visita a SC e anunciar uma representação criminal do governo do Estado contra o petista, acusando-o de ter chamado catarinenses de racistas.
Apesar de que o acirramento da disputa entre o bolsonarista Jorginho e Lula possa dar sinais sobre como pode ser o tom da campanha eleitoral, que começa oficialmente em 16 de agosto, segundo a direção do partido essa foi apenas uma reação do governador às críticas do presidente. A intenção é que a estratégia de campanha foque em divulgar as ações feitas ao longo da gestão e as promessas para um eventual segundo mandato.
O pré-candidato a governador João Rodrigues (PSD) também já tem o “quarteto de ataque” dos cargos da eleição majoritária escalado. O último nome a preencher a coleção foi o do empresário e deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), que decidiu concorrer ao Senado na segunda vaga da chapa — a primeira será do senador Esperidião Amin (PP), figurinha carimbada das eleições de SC e que tentará a reeleição.
A vaga de vice deve ficar com o deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB e principal artífice da união com João Rodrigues. A aliança com MDB, União e PP tomou forma após os emedebistas ficarem sem o espaço de vice na chapa de Jorginho Mello, que preferiu o ex-prefeito de Joinville, do Novo, para o cargo e acabou afastando o MDB.
O presidente do PSD em SC, Eron Giordani, afirma que o momento atual da pré-campanha tem sido dedicado a encontros regionais com os integrantes da chapa por todo o Estado. Nesta semana, o grupo participou de uma agenda com o pré-candidato a presidente do PSD, Ronaldo Caiado, em Criciúma.
O partido também trabalha para fechar a nominata de candidatos a deputado estadual e dos suplentes ao Senado — a única certeza até o momento é de que o 1º suplente de Amin será do MDB e o 1º suplente de Antídio será do PP, um “cruzamento de sangue” entre os partidos historicamente adversários já definido previamente. A convenção do PSD e dos demais partidos da aliança deve ocorrer também dia 1º de agosto, na Assembleia Legislativa de SC (Alesc), em Florianópolis.
— Paralelo a isso, temos também uma equipe trabalhando para a elaboração do plano de governo. O João apresentou trabalho que é a espinha-dorsal do plano, e estamos discutindo com entidades e conhecendo ações em outros estados, projetos do governo Caiado que deram certo e que vamos levar para SC. Depois faremos a mesma visita a estamos do Nordeste e também ao Paraná, na parte de Habitação, da gestão de Ratinho Júnior — detalha Giordani.
João Rodrigues já vem usando o espaço das redes sociais e de discursos em agendas pelo Estado para contestar ações do governo Jorginho, o que também pode dar sinais da possível tônica da campanha do PSD a partir de agosto. O alvo nas últimas semanas foi o projeto da Viamar, rodovia paralela à BR-101 prometida pelo governo de SC como solução para desafogar o trecho da BR-101 entre Joinville e Florianópolis. O pré-candidato do PSD desafiou o governador a apresentar o projeto executivo da obra, sob pena de renunciar à pré-candidatura ao governo.
Quem também já tem a página completa dos pré-candidatos a governo e Senado em SC é a chapa dos partidos de esquerda em SC. Com o empresário e ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB) como pré-candidato a governador, a aliança deve adotar na campanha uma defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacando investimentos do governo federal no Estado e criticando pontos como a ausência do governador Jorginho nos eventos em que o petista veio a SC.
O deputado estadual e presidente estadual do PT em SC, Fabiano da Luz (PT), afirma que os partidos da chapa já têm nomes definidos na disputa proporcional, que devem ser oficialmente confirmados na convenção conjunta, dia 21 de julho, também na Assembleia Legislativa de SC (Alesc). O estágio atual do projeto está concentrado em debate sobre o plano de governo e encontros regionais — dois já foram feitos em São Miguel do Oeste e em Blumenau, e outros estão previstos até o lançamento das candidaturas.




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