EUA decidiu taxar as exportações em 25% após uma investigação do USTR sobre práticas comerciais brasileiras que poderiam impactar o país

O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo federal vai lançar um programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos. A medida será uma resposta a decisão do governo do presidente Donald Trump, que vai aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho.

“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, afirmou Alckmin em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (16/7).

No começo da noite, o governo federal divulgou mais detalhes do programa. Entre as medidas avaliadas estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, o apoio financeiro às empresas e o reforço das ações de promoção comercial para a abertura de novos mercados.

Na coletiva, Alckmin ainda classificou a medida como “injusta e descabida”. “A medida é injusta e descabida. Injusta porque se pegarmos os dados, nos últimos 15 anos os EUA tiveram superávit na balança comercial e não déficit”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin informou que o governo estuda aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA — que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles “Nós temos uma lei (da Reciprocidade), aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo, no momento adequado, saberá implementá-la”, afirmou.

Além de Alckmin, participaram da coletiva os ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo Capobianco (Meia Ambiente), a secretária de Justiça, Maria Rosa Guimarães, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias, afirmou que o novo tarifaço dos EUA deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras em 2024, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Se considerar os números de 2025, as tarifas caem para 15%.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan

Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)

ministro do MDCI Marcio Elias Rosa

Durante a coletiva, o ministro Mauro Vieira criticou a aplicação de tarifas e afirmou que os EUA tomaram a medida porque o “Brasil não se curvou” ao país.

Após anúncio das tarifas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, usou as redes sociais para responsabilizar o governo Lula pelo tarifaço. De acordo com ele, o governo brasileiro não  “não negociou de boa-fé” com as autoridades estadunidenses.

“Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não há confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, disse.

Vieira condenou as declarações de Rubio. “As declarações do secretário americano são inaceitáveis ao povo e ao governo brasileiro”, disse.

Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceção para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo americana, buscando evitar um aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025. Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço, que será imposto a partir do dia 22 de julho.

Veja os produtos que serão impactados: