Aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam nos bastidores que o senador não deve "morder a isca" e abordar a quebra de sigilo proposta pelo oponente dele, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça-feira (20), o presidente da República protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a quebra dos sigilos bancário e telefônico dele caso o adversário faça o mesmo.
Pedido de Lula para abrir sigilos tem mais efeito político do que jurídico, dizem especialistas
A avaliação de pessoas próximas à campanha do PL é que o petista tem a intenção de criar um fato novo na imprensa e nos meios digitais com a proposta de quebra dos sigilos. Para esses integrantes do grupo político bolsonarista, uma eventual interação de Flávio com o tema seria "morder a isca" do candidato do PT.
O assunto foi trazido pela primeira vez por Lula durante o debate do último domingo (18), promovido pela TV Band, quando o presidenciável do PT desafiou o adversário a divulgar os dados telefônicos e bancários dele e dos familiares. Na ocasião, o senador ironizou o chefe do Executivo federal fazia tal proposta por não ter um telefone celular próprio, mas depois silenciou sobre o assunto.
Na mesma linha, nesta terça-feira (20), influenciadores conservadores e de direita foram instruídos pelo influenciador Pablo Marçal, que está coordenando a ofensiva da campanha do PL nas redes sociais, a não falar sobre a derrubada de sigilo proposta pelo petista. Marçal também aconselhou os influenciadores a não criticarem ou mencionarem Lula nas redes.
"A única coisa que a esquerda tem hoje para mexer com o indeciso é essa conversa fiada do sigilo", disse o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, reforçando que os produtores de conteúdo que apoiam Flávio não deveriam fazer críticas ao petista nos meios digitais.
Uma eventual quebra dos sigilos, portanto, teria pouco benefício prático para Flávio na eleição, na perspectiva dos aliados dele. Caso o postulante do PL deixar as informações públicas, os materiais não seriam divulgados a tempo do segundo turno e o presidente poderia disseminar o discurso de que "venceu" o senador neste desafio — fortalecendo, assim, a militância do PT nas redes.




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