JPMorgan, Goldman Sachs e a gestora Global X veem ainda um elevado grau de cautela antes das eleições de outubro e apontam o que pode levar a uma reprecificação de ativos The post Alta de 28%? O potencial que os bancos veem para a Bolsa brasileira com a eleiç…

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais, algumas das principais instituições financeiras globais enxergam uma oportunidade rara no mercado brasileiro, em um cenário em que o potencial de alta parece superar os riscos já embutidos nos preços.

Relatórios recentes de JPMorgan, Goldman Sachs e Global X mostram uma visão em comum de que a bolsa brasileira continua negociando com desconto, enquanto investidores ainda mantêm posições reduzidas no país. Na avaliação das casas, a definição do cenário eleitoral pode funcionar como um gatilho para uma reprecificação dos ativos, especialmente daqueles mais sensíveis à trajetória dos juros.

Mercado ainda negocia perto do cenário de deterioração

O JPMorgan calcula que o MSCI Brazil negocia atualmente a cerca de 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar mais próximo de seu cenário de “deterioração” do que de “melhora”.

Segundo o banco, uma migração para um ambiente de melhora econômica e política implicaria potencial de valorização de aproximadamente 28% para o índice. Em um cenário mais otimista, definido como “ajuste estrutural”, o espaço de alta poderia chegar a 54%.

O banco observa que o mercado brasileiro tem reagido diretamente às mudanças nas pesquisas eleitorais. Desde julho, o MSCI Brazil subiu, em média, 0,20% nos dias em que aumentaram as chances da oposição nas pesquisas e mercados de apostas. Em setembro, esse efeito ganhou força, com avanços médios de 0,72% nos dias de melhora das probabilidades eleitorais da oposição.

A poucos dias das eleições, investidores estrangeiros seguem cautelosos com o Brasil e mantêm posições neutras, apesar do interesse crescente pelo mercado. Bancos apontam que a definição do cenário político pode destravar fluxo para ações ligadas a juros, bancos, commodities e consumo doméstico.

Para os estrategistas do JPMorgan, a combinação entre uma possível mudança de rumo da política econômica e uma agenda fiscal mais disciplinada poderia reproduzir parte do movimento observado entre 2016 e 2020, período marcado pela queda dos juros e expansão dos múltiplos das ações brasileiras.

Estrangeiros continuam pouco posicionados

Na tese das três casas, está a percepção de que o investidor internacional ainda está longe de estar plenamente exposto ao Brasil.

A Global X destaca que os investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 13 bilhões da bolsa brasileira entre 11 e 18 de agosto, em um dos maiores movimentos de saída de recursos desde 2008. Ainda assim, a gestora argumenta que os fundamentos da economia não sofreram uma deterioração compatível com a magnitude da reação do mercado.

O Goldman Sachs chega à mesma conclusão em pesquisa realizada com 70 investidores globais: a casa constatou que ações brasileiras são atualmente a classe de ativos menos comprada pelos investidores internacionais. Cerca de 60% dos participantes se declararam “leves” ou “muito leves” em Brasil. Ao mesmo tempo, as ações foram apontadas como a classe de ativo com maior potencial de valorização caso o cenário eleitoral evolua de forma favorável.

Metade dos investidores consultados pelo banco acredita que o ETF EWZ pode subir pelo menos 20% até o fim do ano em um cenário de vitória da oposição.

Juros aparecem como principal catalisador

Os bancos também apontam a trajetória dos juros como o principal mecanismo de transmissão para a bolsa.

A Global X destaca que o Brasil continua oferecendo juros reais próximos de 9,3%, um dos maiores entre as grandes economias, e que a expectativa de cortes da Selic tende a favorecer uma expansão dos múltiplos das ações. O JPMorgan calcula que uma queda mais expressiva das taxas poderia adicionar entre 21% e 41% de valorização ao MSCI Brazil no médio prazo.

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Já o Goldman Sachs acredita que o principal benefício não estará concentrado no Ibovespa como um todo, mas em empresas mais sensíveis aos juros domésticos.

Segundo a instituição, o Brasil possui os juros reais mais elevados do mundo e apresenta uma das maiores correlações entre mercado acionário e taxas locais entre os emergentes.

O banco calcula que, se o mercado passar a precificar entre 200 e 300 pontos-base de cortes nas taxas de curto prazo, sua cesta de ações mais expostas aos juros poderia passar por uma reprecificação superior a 30%, com expansão do múltiplo preço/lucro de 9 vezes para 12 vezes.