Combustíveis subiram até 14,4% desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro deste ano, conforme dados da ANP
A cerca de duas semanas da votação do primeiro turno para as Eleições de 2026, o governo federal sente a pressão dos preços elevados dos combustíveis diante do impacto da guerra no Oriente Médio, mesmo com uma série de medidas para barateamento.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel, no fim de fevereiro deste ano, só o etanol teve redução no preço. Todos os outros combustíveis tiveram alta no preço médio de revenda. As variações partem de 3,23% e vão a até 14,45%, caso do diesel S10.
Os dados são do levantamento de preços de combustíveis que fica no site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A instituição coleta os valores semanalmente em todo o país.
O levantamento da ANP mostra que a gasolina comum, por exemplo, teve o preço médio de revenda elevado em 3,98% no período de 28 de fevereiro, data de início da guerra, até a semana encerrada no último dia 12. Em valores absolutos o item passou de R$ 6,28 para R$ 6,53.
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No caso do óleo diesel, a variação foi mais do que o dobro da gasolina. O aumento no período foi de 8,62%. Com isto, o litro passou de R$ 6,03 para R$ 6,55. O diesel tem importante papel na composição da inflação porque impulsiona diretamente o valor do frete.
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Distribuição de combustíveis
Em março deste ano, por exemplo, a inflação foi de 0,88% — maior índice mensal no ano. Naquele mês, os derivados de petróleo puxaram o índice para cima. O grupo transportes, que inclui combustíveis subiu 1,64%. Só a gasolina teve alta de 4,59% e o diesel de 13,9%.
Apesar de os preços terem se elevado no período como um todo, a alta seria maior caso não houvesse os subsídios. Tendo por base o recorte feito pela reportagem nos dados da ANP, que observou os dados na última semana de cada mês, o diesel, por exemplo, teve o maior preço no fim de março, valendo R$ 7,45, e na última semana era comercializado a R$ 6,55.
Desde março, houve uma série de medidas para conter os preços dos combustíveis tais como, zerar alíquota de impostos, imposição de imposto de exportação para óleo diesel, subsídio, etc.
No último dia 9, por exemplo, o governo federal publicou uma medida provisória (MP) que concede crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para custear subvenção à importação e produção de combustíveis.
O total de R$ 6,6 bilhões foi distribuído no texto da MP com as seguintes destinações:
O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Jr. lista uma série de motivos que fazem com que os subsídios não consigam segurar totalmente os preços dos combustíveis. Ol
iveira Jr. lista pontos como dependência de importações, especialmente no caso do diesel; tributos, custos de distribuição e margens de revenda; repasse parcial ou defasado do subsídio aos postos e distribuidoras; aumento da demanda e redução da oferta internacional.
“O subsídio reduz parte do impacto, mas pode não compensar toda a elevação dos custos. Os dados da ANP mostram isso: enquanto o etanol caiu 12,74%, o diesel S10 subiu 14,45%, indicando que os combustíveis mais dependentes do mercado internacional continuam mais pressionados”
O economista professor da FIA Business School Claudio Felisoni vai na mesma linha do presidente do Sindecon-SP ao pontuar que os subsídio não tem capacidade de atenuar os aumentos.
Na situação atual, conforme ele, o subsídio consegue reduzir parte do impacto da Terra do Oriente Médio sobre os combustíveis, mas não elimina o problema, mova o completo, “mas não elimina o problema” pelo fato de que o Brasil tinha uma dependência importações de diesel.
“O aumento dos custos de transporte, que refino, ampliam a pressão sobre os preços finais. Além disso, eu acredito, quanto maior e mais prolongado, obviamente, o conflito, maior precisa ser o gasto de desembolso público para manter os preços controlados, tornando o subsídio fiscalmente mais difícil de sustentar, dadas as condições fiscais que nós já sabemos”, considera.




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