Equipe responsável pelo projeto 'Sertanino', semifinalista do Solve for Tomorrow Brasil 2026 - Samsung/Divulgação Estudantes da Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Paulo Freire, em Carnaíba, no Sertão de Pernambuco, estão entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, um programa de Cidadania Corporativa da Samsung, ao criarem um projeto para detectar água contaminada por coliformes fecais a partir de um bioindicador natural. A premiação incentiva estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para desafios da sociedade por meio da abordagem STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Segundo o professor orientador dos estudantes, Gustavo Santos Bezerra, o projeto “Sertanino: Uma solução natural para um direito essencial” foi desenvolvido com o objetivo de encontrar uma alternativa mais acessível para esse tipo de análise, principalmente em localidades onde o acesso a equipamentos e testes especializados é limitado.

“Quando pensamos nas comunidades rurais, indígenas e ribeirinhas, percebemos que muitas vezes o acesso às tecnologias necessárias para identificar parâmetros básicos da qualidade da água é limitado. Existem equipamentos e testes disponíveis, mas eles podem ter um custo elevado ou exigir uma estrutura que nem sempre está próxima dessas populações”, afirma Gustavo.

A partir disso, o grupo decidiu investigar o potencial de recursos naturais para criar uma solução.

Estudos A ideia surgiu a partir de uma realidade presente no Sertão do Alto do Pajeú, onde a escassez hídrica faz com que muitas comunidades utilizem água armazenada em cisternas e açudes. Sem o acesso facilitado a análises de potabilidade, a população acaba consumindo água sem informações sobre sua qualidade, aumentando os riscos de contaminação.

Para os estudantes, era importante encontrar uma solução que permitisse uma sinalização inicial e visível e democratizasse o acesso ao monitoramento de parâmetros básicos da água.

Na primeira etapa, a equipe pesquisou plantas da Caatinga que poderiam apresentar características úteis para a identificação de contaminantes. Entre as espécies analisadas, a jurema-preta e a catingueira, plantas com alta concentração de taninos, foram selecionadas.

“Com base nos extratos obtidos, eles desenvolveram uma pastilha bioindicadora que apresentou uma alteração na tonalidade da água contaminada, enquanto a água não contaminada permaneceu transparente”, explica o professor orientador do projeto.

Protótipo  O Sertanino envolve conteúdos relacionados à biologia, química, pesquisa científica e experimentação, incluindo desde a identificação de um problema presente na região até o estudo de plantas, a realização de testes, a produção de um protótipo e a preparação para comunicar os resultados da pesquisa.

Na etapa de validação do protótipo, os alunos estão comparando os resultados com análises laboratoriais mais avançadas. Para isso, o grupo conseguiu uma parceria com uma universidade de Serra Talhada, também no Sertão do estado. Lá, eles conseguirão testar a sensibilidade da solução em ambiente laboratorial e aprofundar a avaliação de sua uniformidade e funcionamento.

Inspiração e responsabilidade Para o diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, Helvio Kanamaru, o Sertanino mostra como a investigação científica pode partir da realidade dos estudantes e encontrar inspiração nos recursos disponíveis em seu próprio território para criar soluções para um problema real.

“Ao pesquisar plantas da Caatinga e explorar seu potencial para desenvolver uma solução voltada ao monitoramento da qualidade da água, a equipe conecta conhecimento científico, experimentação e um desafio que pode afetar diferentes comunidades. Esse processo de observar um problema, investigar possibilidades e desenvolver uma solução é parte importante do protagonismo que o Solve for Tomorrow busca estimular”, afirma Kanamaru.

A diretora executiva do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Beatriz Cortese, acredita que a escola transforma questões concretas em oportunidades de investigação e aprendizagem, e o projeto dos alunos de Carnaíba é um exemplo disso.

“Ao estudar espécies da Caatinga para desenvolver uma alternativa de monitoramento da qualidade da água, os estudantes mobilizam diferentes conhecimentos, experimentam, levantam hipóteses e produzem ciência a partir de seu contexto. É esse processo, que articula aprendizagem, protagonismo estudantil e compromisso com o território, que contribui para uma educação capaz de ampliar perspectivas e enfrentar desigualdades”, disse Beatriz Cortese.

Ainda de acordo com o orientador dos adolescentes, eles estão desenvolvendo muita responsabilidade ao longo do trabalho, principalmente porque precisam conciliar as atividades escolares com as etapas da pesquisa. Para Gustavo, é um crescimento que acontece aos poucos e em diferentes aspectos.

“Participar do Solve for Tomorrow abre novos horizontes para os estudantes. Desde a inscrição, eles ficaram motivados com a possibilidade de conhecer a universidade e levar a pesquisa para um novo ambiente de aprendizado. Depois da classificação para a semifinal, o empenho aumentou ainda mais. Muitos dos nossos alunos vêm de comunidades rurais e enxergam no programa uma oportunidade de desenvolver soluções para a realidade onde vivem, além de conhecer possibilidades que podem transformar sua trajetória e ampliar suas perspectivas para o futuro”, finaliza o professor.