Vários voos tiveram que fazer pousos de emergência nos últimos dias e redações de veículos de comunicação chegaram a ser desocupadas por conta dos alertas

Novos voos foram impedidos de decolar na Europa nesta sexta-feira, 6, e redações de veículos de comunicação na Irlanda foram desocupadas após receberem ameaças de bomba, ampliando o que o governo irlandês classificou como uma provável “campanha coordenada de perturbação”.

Desde o início desta semana, ameaças de bomba contra mais de duas dezenas de voos na Europa têm provocado transtornos no transporte aéreo, obrigando vários aviões a realizar pousos de emergência, incluindo uma aeronave da Aer Lingus, companhia aérea nacional da Irlanda.

O ministro da Defesa da Hungria afirmou, na tarde desta sexta-feira, que caças militares escoltaram três aviões de passageiros que haviam recebido ameaças até deixarem o espaço aéreo do país.

Segundo as autoridades, nenhum explosivo foi encontrado nos voos afetados, e as redações na Irlanda foram consideradas seguras. Ainda assim, a sucessão de ameaças provocou apreensão, mobilizou uma ampla operação de segurança e levantou preocupações nas capitais europeias sobre quem estaria por trás dos episódios.

A Irlanda deve receber dezenas de líderes europeus na próxima semana, em sua capital, Dublin, e as ameaças levantaram questionamentos sobre possíveis riscos à segurança.

Na manhã desta sexta-feira, os escritórios da emissora pública irlandesa RTÉ, da estação de rádio Newstalk e do jornal Irish Independent foram desocupadas temporariamente para inspeções de segurança após receberem e-mails com ameaças.

Mais tarde, a emissora britânica Sky News informou que também havia recebido uma ameaça à segurança.

“Ainda não se sabe quem é responsável por essas ameaças, se são indivíduos ou se há uma ação centralizada ou coordenada”, afirmou o governo irlandês em comunicado divulgado nesta sexta-feira.

“No entanto, essas ameaças ocorrem após as interrupções que vêm afetando a aviação em toda a Europa, provocadas por ameaças semelhantes, e parece provável que se trate de uma campanha coordenada de perturbação.”

O governo irlandês acrescentou que a polícia e as Forças Armadas estão trabalhando em conjunto com as autoridades nacionais de segurança cibernética e aviação para identificar os responsáveis pelas ameaças, além de cooperar com órgãos de segurança de outros países europeus.

Embora as ameaças de bomba contra os voos tenham sido consideradas falsas até o momento, elas ocorreram após uma série de ataques maliciosos que provocaram transtornos.

Vários países europeus foram afetados por suspeitas de ataques cibernéticos contra geladeiras e freezers de supermercados, incluindo a França, em outubro, e a Irlanda, Suécia, Bélgica e Luxemburgo, nesta semana.

Na quarta-feira, a França também informou que um ataque cibernético teve como alvo bancos de sangue, provocando o aumento da temperatura dos refrigeradores utilizados para armazenamento.

A Irlanda ocupa atualmente a presidência rotativa da União Europeia e, por isso, líderes europeus têm viajado ao país desde julho para uma série de reuniões.

Na próxima semana, eles devem se reunir em Dublin para um encontro da Comunidade Política Europeia, na quinta-feira, e uma reunião informal dos chefes de Estado ou de governo da União Europeia, na sexta-feira.

Será o maior encontro de chefes de Estado já realizado pela Irlanda, com a participação prevista de cerca de 50 líderes europeus e dirigentes de organizações internacionais na quinta e na sexta-feira da próxima semana.

Barry Andrews, eurodeputado irlandês, afirmou que, embora ainda não existam provas suficientes para concluir que a Rússia esteja por trás das ameaças mais recentes, a série de incidentes levanta a possibilidade de interferência patrocinada por um Estado.

“Aqui em Bruxelas, e em toda a União Europeia, há muitas pessoas que já estão preocupadas com a possibilidade de estarmos em uma situação de guerra híbrida com a Rússia”, afirmou Andrews em entrevista ao The New York Times na quinta-feira, 5.

A Dinamarca também enfrentou transtornos no ano passado, quando exerceu a presidência da União Europeia, incluindo uma suposta incursão de drones em seu espaço aéreo.

Além disso, há muito tempo existem preocupações com as vulnerabilidades na segurança da Irlanda, que o país se apressou em enfrentar antes das reuniões europeias.