Um 'gringo' chamado Sérgio chegou ao Brasil para liderar o McDonald's.Tinha sotaque, cultura diferente e conhecia pouco do mercado local.Mesmo assim, é lembrado até hoje por colaboradores, franqueados e fornecedores.
Um 'gringo' chamado Sérgio chegou ao Brasil para liderar o McDonald's.
Tinha sotaque, cultura diferente e conhecia pouco do mercado local.
Mesmo assim, é lembrado até hoje por colaboradores, franqueados e fornecedores.
Não foi a competência que o tornou memorável.
A Arcos Dourados tinha acabado de comprar a operação de 20 países da América Latina, sendo o Brasil um deles. Sérgio foi o primeiro CEO dessa nova fase.
Mas Sérgio não era mole, não. Era exigente. Objetivo. Processual. Metódico. E nada disso substituía o que eu acabei de falar. Escuta e respeito eram o alicerce.
Antes de me contratar para sua equipe, ele não pediu apenas meu currículo. Ele foi pessoalmente até a Espanha, onde eu morava, para me conhecer. Queria entender quem eu era, como eu pensava, se os meus valores batiam com os dele e da organização.
Quando assumiu a operação no Brasil, Sérgio ouvia todo mundo. Entendia o contexto. Pedia opinião genuinamente. E só depois de escutar e entender a cultura local, ele tomava a decisão.
E fez mais. Aprendeu português. Com esforço genuíno de se integrar à cultura. Porque para Sérgio, respeito começava com o esforço de entender e falar a língua do outro.
O resultado? Ele foi o CEO que mudou o jogo. Consertou a operação, tornou a empresa lucrativa e preparou o terreno para a transformação que faríamos anos depois, quando assumi a liderança e transformamos o McDonald's em "Méqui".
Mas nem sempre foi assim.
Num artigo anterior, contei a história de um outro executivo, numa outra empresa onde trabalhei, que chegou com diagnóstico pronto, sem ouvir ninguém, sem conhecer a cultura local. Decretava. As melhores pessoas saíram. A confiança foi destruída. O estrago ficou.
A diferença entre esses dois não era competência técnica. Ambos eram competentes. A diferença era o método. Um chegou escutando. O outro chegou decretando.
Nesta primeira fase da Copa, a seleção brasileira enfrenta seus desafios. No banco de reservas, comandando o time, está Carlo Ancelotti. Um italiano.
Nas últimas semanas, ouvi muita gente questionar se um estrangeiro conseguiria entender a "alma" do futebol brasileiro. Se ele saberia lidar com o vestiário. Se a barreira do idioma ou da cultura seria um problema.
Para mim, a pergunta está errada.
Ancelotti não é brasileiro. E daí?
O que importa não é o passaporte que ele carrega. Ancelotti é conhecido mundialmente não por impor um sistema tático rígido, mas por escutar seus jogadores. Por entender o contexto. Por adaptar seu estilo às peças que tem à disposição. Por respeitar a cultura dos clubes por onde passa.
Ele faz no futebol exatamente o que Sérgio Alonso fez no mundo corporativo.
E assim como Sérgio, Ancelotti não é mole. É exigente, objetivo, processual. Mas está fazendo algo que muitos líderes brasileiros não fazem: aprendendo português. Cantou o hino nacional. Porque sabe que respeito começa com o esforço de entender e falar a língua do outro.




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