Relatório da Anistia Internacional cita 87 autoridades iranianas e descreve abusos na repressão aos protestos de 2022. Entenda.

A Anistia Internacional identificou 87 autoridades iranianas que, segundo a organização, participaram da repressão aos protestos por direitos das mulheres em 2022.

O relatório de mil páginas pede que os 87 nomes sejam investigados por crimes contra a humanidade. A entidade ouviu 270 testemunhas e sobreviventes e analisou mais de 2.000 vídeos gravados entre 16 de setembro e 31 de dezembro de 2022.

A Guarda Revolucionária Islâmica e a polícia iraniana lideraram as operações para dispersar manifestantes, afirma a Anistia. Documentos oficiais e vazados indicaram ordens para uma resposta "firme e severa" aos atos.

Forças de segurança usaram armas de fogo, espingardas com projéteis metálicos, cassetetes, choques elétricos e gás lacrimogêneo, segundo a apuração. A organização relata que agentes atiraram contra multidões e perseguiram pessoas desarmadas que fugiam dos protestos.

Sobreviventes relataram tortura durante a custódia do Estado, incluindo agressões, isolamento prolongado e privação de comida, água e atendimento médico. O documento também descreve condições insalubres e superlotação em locais de detenção.

A Anistia documentou 16 casos de estupro de pessoas detidas durante os protestos, entre elas uma menina de 14 anos e dois adolescentes. Outros 29 detidos sofreram formas de violência sexual que não envolviam estupro, afirma a entidade.

Familiares de mortos na repressão também sofreram violações, de acordo com o relatório. As autoridades teriam pressionado parentes a aceitar versões oficiais sobre as mortes e restringido funerais e homenagens.

A lista reúne 62 comandantes das forças de segurança e 25 funcionários do Ministério do Interior, incluindo governadores provinciais e de condados. Entre os citados estão Ali Khamenei, Mohammad Bagheri, Ahmad Vahidi e Majid Mir Ahmadi.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, afirma que os agentes atuaram em uma cadeia hierárquica e coordenada. "É mais do que hora de criar um mecanismo internacional de Justiça criminal para o Irã antes de outro massacre de manifestantes", declarou.

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