Alguns dos assessores da Anthropic avaliam que esperar até novembro permitiria à companhia apresentar resultados financeiros do terceiro trimestre que demonstrem posição competitiva forte O post Anthropic adia IPO para novembro enquanto debate sobre frear des…

A Anthropic planeja realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em novembro, um mês depois do que muitos investidores esperavam. A empresa responsável pelo Claude era cotada para estrear na bolsa em outubro, em operação que poderia estabelecer novos recordes.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto em entrevista ao The Wall Street Journal, alguns dos assessores da Anthropic avaliam que esperar até novembro permitiria à companhia apresentar resultados financeiros do terceiro trimestre que demonstrem uma posição competitiva forte, mesmo após a rival OpenAI lançar seu novo modelo, Astra, em setembro.

A decisão de mirar novembro teria sido tomada antes de um alerta público feito por um ex-pesquisador da Anthropic, que desencadeou um debate sobre o ritmo de avanço da inteligência artificial (IA). Pessoas familiarizadas com o cronograma ressaltam, porém, que a data ainda pode mudar.

Os assessores e investidores atuais da Anthropic continuam defendendo que uma desaceleração no desenvolvimento dificilmente afetaria de forma drástica as perspectivas financeiras da empresa. O argumento é que a companhia ainda pode gerar receitas significativas com os modelos que já estão disponíveis.

Investidores atuais esperam que a Anthropic ultrapasse US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 583 bilhões) em receita anualizada até o fim do ano.

Na quinta-feira (17), entretanto, o IPO não foi o principal assunto em um encontro da empresa com alguns de seus primeiros investidores e parceiros, realizado na sede da Anthropic.

Executivos, como Jared Kaplan, Benjamin Mann e Andrej Karpathy, discutiram os novos produtos da companhia. Entre eles estava o Model Hardware Standard, ferramenta que permite que agentes de IA operem produtos físicos, como microscópios e braços robóticos, segundo um participante do encontro.

Mais tarde, durante um jantar organizado pela Anthropic em uma churrascaria de São Francisco (EUA), investidores de venture capital conversaram sobre o alerta de segurança feito por Amodei e a repercussão gerada pela declaração.

Muitas das empresas do Vale do Silício que investiram na Anthropic afirmaram que consideram o momento escolhido por Amodei para defender novos padrões de segurança para o setor adequado e disseram não estar preocupadas com uma possível redução do interesse pelo IPO.

Um dos investidores afirmou que, depois de se tornar uma companhia de capital aberto, a Anthropic provavelmente enfrentará um escrutínio muito maior por parte dos acionistas. Na avaliação dele, estabelecer uma posição sobre riscos mais amplos de segurança pode ajudar a empresa a se proteger caso algum problema ocorra no futuro.

Enquanto isso, a principal concorrente da Anthropic, a OpenAI, deixou claro que não pretende abrir seu capital antes de 2027. A empresa também está em discussões iniciais para uma nova rodada de financiamento que poderia avaliá-la em mais de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 6,4 trilhões), caso seja concluída.

Na última vez em que a desenvolvedora do ChatGPT levantou capital, a empresa recebeu mais de US$ 120 bilhões (aproximadamente R$ 636 bilhões) de investidores.

Caso a OpenAI consiga captar uma quantia semelhante antes do IPO da Anthropic, alguns investidores da companhia avaliam que isso poderia reduzir a demanda pela oferta de ações da desenvolvedora do Claude.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.