Inteligência artificial da Anthropic atinge 35,1% de sucesso no design de componentes biológicos, superando a média do setor

Compartilhar matériaA Anthropic divulgou esta semana um experimento no qual a inteligência artificial Claude desenhou do zero componentes capazes de se ligar a alvos biológicos, uma etapa fundamental na criação de novos medicamentos.

Os testes alcançaram uma taxa de sucesso de até 35,1%, superando com folga a média habitual do setor de biotecnologia, que varia entre 10% e 15%. 

A Anthropic realizou a pesquisa científica utilizando as versões Mythos Preview e Opus 4.8 da plataforma. A ferramenta trabalhou de forma autônoma durante sessões de 24 a 48 horas, pesquisando alvos biológicos e combinando softwares para gerar os projetos das moléculas. 

Os laboratórios independentes Adaptyv Bio e Twist Bioscience produziram e testaram na prática 1.320 estruturas desenhadas pelo sistema. A tecnologia criou moléculas funcionais contra 14 de um total de 15 alvos biológicos analisados, incluindo proteínas associadas a processos inflamatórios. 

A estrutura mais eficiente desenhada pelo Claude apresentou uma capacidade de encaixe quase doze vezes mais forte do que a proposta humana vencedora de um desafio científico recente. 

A desenvolvedora pretende expandir o uso do sistema para administrar todas as etapas de criação de um remédio. A ideia é disponibilizar um programa para que cientistas ao redor do mundo possam utilizar a plataforma em pesquisas. 

A Anthropic reforça, em seu site oficial, que a criação dessas moléculas representa apenas a etapa inicial de um processo longo e rigoroso.

A empresa destaca que "projetar um ligante de alta afinidade é apenas o primeiro passo no desenvolvimento de uma molécula com propriedades medicamentosas" e que "desenvolver o próprio remédio é só uma das muitas fases necessárias para estabelecer que ele seja seguro e eficaz antes de torná-lo disponível às pessoas". 

O experimento integra uma estratégia mais ampla da Anthropic no setor de biotecnologia. 

Em junho, a desenvolvedora lançou o Claude Science para consolidar ferramentas de pesquisa e dar acesso a mais de 60 bancos de dados científicos em uma única plataforma.

Além disso, a companhia também comprou a startup de biotecnologia Coefficient Bio por cerca de US$ 400 milhões, segundo reportagem publicada no The Information.