Bolsa Família terá um reajuste de 15,04% - Foto: Agência Brasil A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) anunciou duas medidas de impacto popular: o reajuste de 15,04% do Bolsa Família e a promessa de ampliar o acesso gratuito a medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os anúncios ocorreram na reta final da campanha e vêm sendo alvo de críticas da oposição, enquanto o governo sustenta que as iniciativas atendem a demandas sociais e seguem critérios técnicos.
No caso do Bolsa Família, o valor mínimo pago por família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores terão efeitos financeiros a partir de outubro e começarão a ser pagos em 19 de outubro, entre o primeiro turno e o eventual segundo turno do pleito. Líderes da oposição chegaram a questionar na Justiça o reajuste do Bolsa Família. Contudo, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça rejeitou uma ação em do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que a medida não fere regras eleitorais. A decisão foi criticada pelo professor e colunista da Folha de Pernambuco Luiz Otávio Cavalcanti, que comparou a iniciativa às medidas adotadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2022. Para ele, a repetição desse tipo de estratégia não seria adequada e poderia ter como objetivo influenciar a escolha do eleitor. “Esse tipo de ação, que Bolsonaro fez há quatro anos, não é um bom caminho. E é o que Lula está fazendo. Lula está utilizando os recursos fiscais para tentar embrulhar o voto com o aumento do Bolsa Família. Feio, muito feio”, afirmou. Cavalcanti também avaliou que a proximidade entre a adoção das medidas e o pleito pode ser interpretada como uma tentativa de interferir na decisão do eleitor. “(É uma tentativa de) induzir o eleitor de uma forma inapropriada”, disse. Reajuste O cientista político e professor Sandro Prado reconhece que o calendário da medida produz um efeito político, mas faz uma ressalva sobre a natureza do reajuste. Segundo ele, não houve aumento real do benefício, mas uma recomposição da inflação acumulada desde março de 2023. “Não teve nenhum aumento real no benefício. Na verdade, ele deu o reajuste de 15,04%, que corresponde à inflação acumulada desde março de 2023, quando foi retomado o programa Bolsa Família nos moldes atuais, até agora, o mês de agosto”, afirmou. Para o professor, a decisão de concentrar a correção acumulada em um único momento, em vez de realizar reajustes periódicos, amplia o impacto da medida. “Essa medida poderia ter sido tomada homeopaticamente todos os anos, corrigindo pela inflação, e ele optou para dar o reajuste acumulado todo de uma vez, porque realmente ele tem um efeito muito maior do que se fosse escalonado.”




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