Aos 9 anos, Gitanjali Rao vê famílias expostas ao chumbo na água e inicia a ideia do Tethys, sensor que depois envia os resultados para um aplicativo. O post Aos 9 anos, ela viu na televisão famílias recebendo água contaminada e decidiu construir um aparelho …

Gitanjali Rao tinha 9 anos quando viu na televisão imagens da crise de água contaminada por chumbo em Flint, nos Estados Unidos, e decidiu que queria encontrar uma forma de ajudar. Aos 11, a ideia já havia se transformado no Tethys, um protótipo com sensor de nanotubos de carbono capaz de detectar a presença do metal na água e enviar o resultado para um aplicativo no celular.

Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan. Ela viu água de coloração enferrujada saindo das torneiras e ouviu relatos sobre moradores expostos ao chumbo. A possibilidade de crianças de sua idade beberem água contaminada permaneceu na cabeça da então menina de 9 anos.

No dia seguinte, ela decidiu procurar uma solução que fosse além de doar garrafas de água. A investigação continuou por meses e passou por ideias que não funcionaram, até que uma leitura sobre nanotubos de carbono chamou sua atenção.

Gitanjali percebeu que nanotubos de carbono já eram estudados como sensores porque mudanças químicas ao redor deles podem modificar sua resistência elétrica. Ela começou então a investigar se o mesmo princípio poderia indicar a presença de chumbo na água. O projeto recebeu o nome Tethys, inspirado na figura mitológica grega relacionada à água.

O protótipo final utilizava um sensor com nanotubos de carbono dopados com cloreto, uma estrutura produzida por impressão 3D e um processador Arduino. Quando o chumbo presente na amostra interagia com o sensor, ocorria uma alteração na resistência elétrica que podia ser medida pelo sistema.

O Tethys processava essa mudança e enviava os dados para um aplicativo de smartphone, que alertava o usuário sobre a presença do contaminante. A proposta era criar uma alternativa rápida e mais simples aos testes domésticos que Gitanjali havia visto apresentarem resultados inconsistentes quando seus próprios pais verificaram a água da residência.

Como uma menina de 11 anos conseguiu construir o protótipo? Encontrar os materiais foi uma das partes mais difíceis. Sem laboratório próprio, Gitanjali inicialmente construiu estruturas simples, aprendeu a programar Arduino com tutoriais e enviou mensagens para cientistas tentando conseguir os nanotubos necessários. Depois de chegar à final do Discovery Education 3M Young Scientist Challenge, passou a trabalhar com a pesquisadora Kathleen Shafer e conseguiu acesso aos componentes necessários para desenvolver uma versão funcional do Tethys.

O trabalho continuou depois da competição. Em 2021, aos 15 anos, Gitanjali recebeu uma patente nos Estados Unidos para um sistema e método de detecção de contaminantes na água. O Tethys permaneceu como um protótipo em desenvolvimento, e não como substituto imediato dos testes laboratoriais oficiais, mas demonstrou como sensores, eletrônica e um aplicativo poderiam ser combinados para tornar a identificação de chumbo mais rápida e acessível.