A indicação do médico-veterinário é importante para que o tutor vacine seu pet - MSD Saúde Animal / Divulgação Tutores de gatos não valorizam tanto a imunização de seus pets quanto deveriam. Um levantamento realizado pela MSD Saúde Animal identificou que apenas 16% dos responsáveis por gatos acreditam que a vacinação é essencial. Enquanto isso, 69% dos médicos-veterinários consideram a vacinação um fator essencial para a saúde felina. 

Muitas vezes vistos erroneamente como animais de cuidados mais simples devido à sua independência, os gatos demandam tantos cuidados veterinários quanto seus amigos caninos. 

No estudo, foi apresentado que 58% das famílias dependem diretamente do médico-veterinário para obter informações sobre vacinas, mas somente 23% dos profissionais relatam compartilhar ativamente materiais educativos sobre o tema.

Intitulada “Drivers, Barriers, and Unmet Needs affecting Feline Vaccination Compliance: Insights from a Global Survey of Cat Owners and Veterinarians”, a pesquisa foi apresentada no Congresso Mundial Felino de 2026 (World Feline Congress 2026) e publicada na revista científica Veterinary Sciences, revelando um distanciamento significativo entre o que as famílias e os profissionais pensam sobre a relevância de vacinar os pets.

Realizado entre maio de 2024 e agosto de 2024, o estudo capturou dados de uma amostra representativa de 1.330 médicos-veterinários de animais de companhia e 5.071 responsáveis por gatos em 14 países: Estados Unidos, Canadá, Japão, Brasil, México, Austrália, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia, Bélgica, Holanda e Dinamarca.

Indicação

Apesar de tutores não seguirem sempre o que dizem os profissionais, a recomendação do médico-veterinário (71%) foi identificada como o principal fator de estímulo para que o animal receba as doses, evidenciando que o público busca mais dados sobre os benefícios e enxerga o profissional como uma fonte de extrema confiança.

Para José Carlos Pereira Jr., diretor da unidade de Animais de Companhia da MSD Saúde Animal Brasil, os resultados do levantamento reforçam que ampliar o acesso à informação é tão importante quanto disponibilizar tecnologias de prevenção:

"Os dados globais mostram que ainda existe uma distância significativa entre a percepção dos responsáveis e a realidade dos riscos aos quais os gatos estão expostos. Muitos acreditam que um animal que vive exclusivamente dentro de casa não precisa ser vacinado, quando, na prática, a prevenção continua sendo fundamental para protegê-lo de doenças potencialmente graves. O médico-veterinário desempenha um papel decisivo nesse processo", comentou o diretor.

Ranking dos cuidados

Ao serem estimulados a listar, de forma espontânea, três fatores cruciais para manter a saúde dos felinos, a esmagadora maioria dos responsáveis (94%) apontou uma alimentação de alta qualidade. Itens como consultas de rotina (39%), afeto (35%) e momentos de brincadeira (17%) também ganharam prioridade frente à vacinação, mencionada por apenas 16% do público.

Entre os responsáveis que optam por deixar os gatos desprotegidos, as principais justificativas são a crença de que as vacinas seriam desnecessárias para animais saudáveis (27%) ou para aqueles que vivem exclusivamente em ambientes internos (27%).

Esse comportamento reflete os obstáculos identificados pelos médicos-veterinários no dia a dia dos consultórios, que listam a falta de entendimento do cliente (53%) e a disseminação de informações incorretas (51%) como as barreiras mais complexas a serem superadas.

Curiosamente, o motor para reverter esse quadro está na própria relação de confiança estabelecida na clínica. Entre os entrevistados que mantêm a carteira de vacinação dos felinos em dia, os fatores de maior influência foram o desejo intrínseco de manter o pet saudável (62%) e a indicação direta do médico-veterinário (57%).

O dado se conecta à percepção dos próprios profissionais, dos quais 71% confirmam que a sua recomendação verbal é o principal fator de engajamento da família. O grande desafio, portanto, reside em transformar essa influência em uma prática constante de compartilhamento de dados, rompendo o silêncio atual em que a minoria dos médicos-veterinários (23%) fornece materiais educativos explicativos, a despeito de 58% dos clientes desejarem receber esse tipo de suporte.