Na China, a inteligência artificial já virou coisa do dia a dia - e isso ajuda a explicar por que o país olha para a tecnologia com mais entusiasmo do que os...

Na China, a inteligência artificial já virou coisa do dia a dia - e isso ajuda a explicar por que o país olha para a tecnologia com mais entusiasmo do que os EUA e parte do Ocidente. Já do lado ocidental, a memória recente de redes sociais, desinformação e poder concentrado nas big techs faz muita gente pedir mais freios antes de acelerar.

*Pesquisas citadas por The New York Times e Bloomberg mostram uma diferença grande de humor: 69% dos chineses disseram que os benefícios da IA superam os riscos, contra 35% dos americanos; em outro recorte, 84% dos chineses dizem estar animados com IA, ante 38% nos EUA.

*Na China, a IA aparece "na rua": táxis sem motorista em mais de uma dezena de cidades, robôs em hotéis e restaurantes, chatbots médicos para reduzir filas e assistentes embutidos em apps populares (mapas, compras e afins).

*O governo chinês empurra a tecnologia para usos práticos: Xi Jinping disse que a indústria deve "priorizar aplicação prática", com a promessa de ajudar em problemas como desigualdade na saúde e envelhecimento da força de trabalho.

*Nos EUA, parte do debate público é puxada por promessas mais abstratas (como "superar humanos" e chegar à chamada AGI, uma IA capaz de fazer quase tudo melhor do que pessoas), o que alimenta medo de substituição de empregos.

*A Bloomberg aponta que a diferença não é "quem usa mais IA", mas quem acredita que os ganhos vão chegar na própria vida - e se existe alguém "apitando o jogo": nos EUA, muita gente vê governo e big techs como o mesmo time; na China, a percepção é de que o Estado tem mais controle sobre as empresas.

*Mesmo na China, há sinais de cautela: trabalhadores já processaram empregadores após serem substituídos por IA, e juízes deram razão a eles; Xi também falou em evitar "perda de controle".

*Ainda assim, a experiência recente de modernização rápida pesa: para muitos chineses, tecnologia foi sinônimo de oportunidade (pagamentos no celular, compras online, entregas baratas, acesso a informação), então a IA parece "só a próxima volta da roda".

*A China parece tratar IA como eletrodoméstico: não precisa amar a ideia, basta funcionar e facilitar a vida. Quando a tecnologia aparece como "atalho" para resolver coisas concretas (consulta, transporte, compra), a conversa sai do medo abstrato e vira pragmatismo.

*No Ocidente, a IA chega num terreno já traumatizado por plataformas digitais. É como se a promessa fosse "confia em mim" - só que o público lembra do preço pago com redes sociais. Resultado: cresce a cobrança por regras claras, transparência e um "árbitro" que não pareça amigo dos jogadores.

1) O plano frustrado de Zuckerberg de substituir funcionários por IA

*A Reuters revelou que a Meta criou o "Project OT", um plano para tornar a empresa "nativa de IA", com agentes de IA assumindo parte do trabalho diário e equipes humanas menores supervisionando.

*Em cenários internos, executivos discutiram cortar alguns times em até 60% e fazer a reestruturação em duas ondas (maio e novembro), mas Mark Zuckerberg cancelou a segunda onda horas antes da primeira rodada.

*Segundo a Reuters, funcionários entraram em revolta, e dados internos indicavam que os "agentes" não estavam entregando o ganho de produtividade esperado; investidores também questionavam o retorno do gasto pesado com IA.

*A promessa de "IA que faz o trabalho" ainda parece mais um protótipo do que um motor confiável: quando a automação aumenta volume (mais código, mais mudanças) sem aumentar resultado na mesma proporção, o custo aparece em retrabalho e incidentes - e a conta cai no colo de quem ficou.

2) Anthropic quer conectar IA a máquinas do mundo real

*A Anthropic apresentou em prévia de pesquisa o Model Hardware Standard (MHS), uma especificação para conectar agentes de IA a máquinas do mundo real (como microscópios, braços robóticos e equipamentos de laboratório) sem depender de integrações sob medida.

*A Anthropic afirma que, em um teste, o Claude aprendeu a alinhar um laser por tentativa e erro e depois transformou o processo em um script para automatizar a tarefa.

*Se a IA já virou "estagiária" no computador, a próxima briga é ela virar "operadora" de equipamentos. Isso pode acelerar pesquisa e indústria - mas também aumenta a importância de limites e checagens, porque erro em máquina não é só resposta errada: pode virar dano físico ou prejuízo.

3) ByteDance fecha acordo com Hollywood após polêmica