No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que apoiará o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante as eleições gerais do país no próximo dia 27.

Apoio de Trump a Netanyahu não muda cenário eleitoral polarizado em Israel

Publicado em: 23/10/2026 - 11:24

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que apoiará o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante as eleições gerais do país no próximo dia 27. 

Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel

Apesar disso, do ponto de vista das pesquisas eleitorais, o cenário não mudou. O eleitorado segue dividido e nenhum dos blocos, nem o de Netanyahu e dos partidos que formam seu atual governo, nem o bloco de oposição consegue atingir o número mágico. Ou seja, os pelo menos 61 mandatos necessários para formar uma coalizão majoritária mínima no Knesset, o parlamento. 

Mas houve reações. Gadi Eisenkot, líder do partido de centro-direita Yashar e que está em primeiro lugar na maioria das pesquisas, respondeu algumas horas depois ao anúncio de Trump durante entrevista ao vivo no telejornal mais assistido do país. 

O ex-general e ex-chefe do Exército declarou que respeita o presidente norte-americano, mas afirmou que tem capacidade para substituir Netanyahu que, segundo ele, “lidera o pior governo da história de Israel”. 

O apoio a Trump já foi maior em Israel. Pesquisa do Índice de Democracia de Israel (IDI) divulgada em junho mostrava que 44% dos israelenses diziam acreditar que a segurança do país era uma preocupação central do presidente dos Estados Unidos. Mas este percentual já foi de 60% em março deste ano. 

Há uma diferença de percepção entre as populações árabe e judaica de Israel. Entre os árabes-israelenses, houve crescimento diante da mesma pergunta: eram 43% em março, mas 59% em junho. 

Já entre os judeus israelenses houve a queda que acabou por influenciar no resultado final da pesquisa: 41% disseram acreditar, durante o levantamento de junho, que a segurança do país era um tema central para Trump; mas em março, este dado chegou a 64%. 

Em maio deste ano, em conversa com jornalistas nos Estados Unidos, Donald Trump chegou a brincar ao dizer que tinha “99% de aprovação em Israel” e que poderia se candidatar ao cargo de primeiro-ministro. 

Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada em junho mostrou que 81% dos israelenses têm opinião favorável sobre os Estados Unidos, o índice mais alto entre os 36 países onde a pesquisa foi realizada. 

Um elemento que tem influenciado a campanha é a possibilidade de uma nova guerra com o Irã. 

Segundo informação obtida pela RFI com fontes de segurança, os israelenses não acreditam que Estados Unidos e Irã vão chegar a um acordo. Na avaliação técnica dessas fontes – que não são políticos –, um novo confronto com o regime iraniano é apenas uma questão de tempo. 

Mas também há o uso político deste tema. Especialmente por parte do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que declarou que o Irã voltou a desenvolver armamento nuclear. Em discurso durante cerimônia de graduação de oficiais do exército, Netanyahu acusou o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, de retomar as ambições nucleares do país. 

“Só há uma forma de eliminar esta ameaça de uma vez por todas: derrubar o regime iraniano. Esta é a minha diretriz para as Forças de Defesa de Israel, o Mossad (o serviço de inteligência), e as agências de segurança”, declarou em discurso. 

Nunca houve o cancelamento de eleições em Israel, mas o adiamento ocorreu uma única vez, em 1973, devido à Guerra do Yom Kippur, quando uma coalizão de países árabes liderada por Síria e Egito invadiu Israel durante o dia do perdão, uma das datas mais solenes do calendário judaico. 

As eleições estavam marcadas para acontecer em 30 de outubro, mas por causa da guerra foram realizadas em dezembro do mesmo ano. 

Em entrevista ao Canal 12 israelense, o ex-primeiro-ministro Ehud Barak acusou Netanyahu de “se preparar para entrar em guerra de forma a adiar as eleições”. 

No entanto, nos bastidores, o próprio Likud, partido liderado por Netanyahu, teme que um novo confronto antes das eleições possa ter efeito exatamente oposto no público israelense. 

Segundo uma fonte de alto escalão do partido revelou ao Jerusalem Post, uma guerra contra o Irã e a possibilidade de haver prédios destruídos, ataques com mísseis, feridos e mortos em Israel “poderia dar a vitória (eleitoral) a Eisenkot e seus aliados”.