Em lista divulgada pela empresa inicialmente, ao menos dois terços das contas declaradas pelos políticos ao TSE ficaram de fora

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26.ago.2026 às 17h15 Atualizado: 26.ago.2026 às 19h11

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Pelas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as redes sociais devem excluir os perfis declarados pelos candidatos de seus sistemas de recomendação de conteúdo durante a campanha eleitoral.

Na prática, isso significa que as plataformas não podem exibir o conteúdo da conta de um candidato para alguém que não segue esse perfil.

A intenção da norma é minimizar a possibilidade de haver um tratamento desigual das candidaturas por parte dos algoritmos das empresas –a única exceção prevista são os posts impulsionados mediante pagamento.

Análise da organização Sleeping Giants Brasil e também pesquisa realizada pela própria Folha demonstram que, até esta terça-feira (25), o X (ex-Twitter) não tinha aplicado esse filtro igualmente a todos os candidatos que informaram ao TSE ter um perfil na plataforma.

Após ser questionado pela reportagem, o X alterou seu algoritmo para incluir mais nomes na noite de terça.

No último dia (14), o X anunciou que aplicaria a regra e, para fins de transparência, divulgou o algoritmo por meio do qual implementaria o filtro. No documento da empresa, constavam até esta a tarde de terça 665 contas. Ao passo que os perfis no X declarados ao TSE pelas candidaturas passavam de 2.107 segundo análise da reportagem.

Ou seja, havia pelo menos 1.442 contas de candidatos que não estavam sendo bloqueadas pelo filtro e que poderiam aparecer como recomendação para todos os usuários. Durante a navegação na plataforma, a reportagem identificou diversos perfis, de diferentes siglas, que o X seguiu recomendando, apesar de terem sido informados ao TSE.

Após contato da Folha questionando a empresa a respeito desses dados, lista de contas de candidatos sujeitas ao filtro aumentou para quase 2.400 na noite de terça. Depois disso, a reportagem não encontrou mais recomendações de perfis de candidatos.

Desse modo, aqueles que foram filtrados a partir do início da campanha, em 16 de agosto, tiveram um prejuízo em comparação aos demais ao menos nesse intervalo.

Apesar da alteração, a empresa não respondeu a Folha até a publicação deste texto.

Outra lacuna na implementação da regra do TSE, porém, passa pelas próprias candidaturas. Algumas das contas que apareceram na aba recomendada não tinham sido declaradas ao TSE ou foram declaradas com erros de digitação.

Nesta quarta (26), a coligação do presidente Lula protocolou uma ação no TSE sobre o caso solicitando que a plataforma X seja notificada sobre o possível favorecimento de candidaturas. Também pediu que o filtro da aba "Para Você" seja sincronizado de acordo com as atualizações da base do TSE ao longo de todo o período eleitoral.

O processo foi distribuído para a relatoria da ministra Estela Aranha.

Entre outros itens, a peça requere ainda que as demais redes sociais sujeitas à regra do TSE tenham que informar por qual mecanismo cumprem o dispositivo, quais as funcionalidades da plataforma que estão abrangidas pelas restrições e a data de início da aplicação do filtro. Solicitou também que seja determinada a "preservação dos registros técnicos, códigos, versões, listas, logs e demais documentos relacionados ao filtro", para realização de eventual auditoria ou perícia.