Estados Unidos confirmoaram imposição das tarifas de 25% pelos EUA para produtos exportados pelo Brasil, a partir do dia 22 de julho

O Governo Federal convocou a imprensa na tarde desta quinta-feira (16), no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), para uma entrevista coletiva sobre o anúncio da imposição das tarifas de 25% pelos Estados Unidos para produtos exportados pelo Brasil. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou na noite desta quarta-feira (15) a aplicação do tarifaço a partir do dia 22 de julho.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ministros do governo Lula, avaliaram que a medida foi injusta e anunciaram auxílio para empresas.

"A medida é injusta e descabida", disse o vice-presidente, lembrando que os EUA tem superávit com o Brasil. "Descabida porque argumentos partem de uma base totalmente falsa."

"O governo terá um programa de apoio para aqui dentro estão trabalhando. Apex (agência de apoio a exportação) e ABDI (de desenvolvimento industrial) vão ter esforço para abrir novos mercados", disse o vice.

A principal ferramenta para conter os impactos nos setores afetados diretamente é reforçar o Programa Brasil Soberano do governo federal, destacou Dario Durigan.

"A Apex Brasil vai fazer empenho redobrado para ampliar a parceria e expansão pra outros mercados", reforçou Geraldo Alckmin.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, comentou que os setores mais atingidos são madeira, calçados, açúcar edisse que os dois governos fizeram, nas últimas semanas, a cada 10 dias uma reunião de alto nível.

"Em todas as reuniões, discutimos pontos negociáveis e inegociável. Nos afastamos de tudo que poderia afetar a soberania ou grande impacto na indústria brasileira", declarou Rosa.

Outro meio de contenção será a "expansão do mercado para além dos EUA", destacou  o ministro Márcio Elias Rosa.

A taxa atingirá milhares de produtos brasileiros, embora a lista de exceções tenha sido ampliada para mercadorias como carne bovina, café, componentes aeronáuticos e itens do setor de energia.

O vice presidente finalizou afirmando que o governo federal já celebra três novos contratos de exportação que entra em vigor em 1° de agosto.

"Estamos em negociação com mercados do Japão, Canadá, Índia e México de celebração de novas linhas tarifárias de exportação do mercado brasileiro", disse Alckmin.

Os contratos já celebrados são com relação ao acordo de livre comércio Mercosul-Singapura que garante tarifa zero para 100% das exportações. Além disso, o Senado aprovou a Medida Provisória (MP) que aprovou o aporte de R$ 15 bilhões em crédito para socorrer empresas que exportam para os EUA e que sofrerão com a sobretaxa internacional.

A sobretaxa será aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que autoriza o país a adotar medidas retaliatórias contra parceiros comerciais cujas políticas ou práticas sejam consideradas injustas.

Pouco tempo depois do anúncio, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota de repúdio informando que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade. Em vigor desde o ano passado, a legislação estabelece os instrumentos que podem ser utilizados pelo Brasil para responder a sanções econômicas impostas por outros países.

Na nota, assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o governo alega que o Brasil não reconhece a legitimidade das investigações apontadas pelo USTR, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio, e acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil.

Pela manhã, ministros e técnicos da equipe de governo, entre eles os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram para tratar sobre os impactos do anúncio do tarifaço e os próximos movimentos do governo brasileiro em torno do tema. As propostas serão levadas a Lula, que tomará a decisão final.

O governo brasileiro também rebateu publicamente as críticas do Departamento de Estado dos Estados Unidos a respeito da postura do Planalto nas negociações acerca do tarifaço.

Em publicação na rede social X nesta quinta, Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, disse que o governo brasileiro não negociou "de boa-fé" e responsabilizou Lula pela adoção da medida.

Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que o governo realizou mais de 30 reuniões com representantes dos Estados Unidos desde o primeiro anúncio das taxas sobre produtos brasileiros.  As tratativas teriam ocorrido de forma presencial, virtual e por telefone, na tentativa de evitar a aplicação das sanções.