O iPhone Duo pode custar até R$ 31 mil no Brasil e pode ficar restrito a fãs da Apple e consumidores de maior poder aquisitivo, segundo analistas. O post Apple lança iPhone dobrável e deixa uma pergunta no ar: quem vai comprar? apareceu primeiro em Olhar Digi…
A Apple lançou nesta quarta-feira (9) seu primeiro iPhone dobrável, o iPhone Duo, por US$ 1.999 nos Estados Unidos, cerca de R$ 10,4 mil (no Brasil, o dispositivo custa a partir de R$ 21.999, podendo chegar a R$ 30.999). A empresa aposta na tela maior para trabalho, criação de conteúdo e entretenimento.
A questão é quem estaria disposto a pagar tanto pelo novo modelo. Analistas esperam uma procura forte entre os fãs da marca, mas avaliam que o preço e a falta de um público claramente definido podem manter o aparelho restrito a consumidores de maior poder aquisitivo.
No lançamento, a Apple mostrou o iPhone Duo com aplicativos como Zoom, Slack e Netflix na tela aberta. A demonstração apresentou o aparelho para diferentes situações, sem definir uma finalidade principal.
O novo CEO da empresa, John Ternus, destacou a tela ampliada como um dos pontos centrais do produto. Segundo ele, a experiência se aproxima da oferecida pelo iPad e pode fazer do aparelho uma central pessoal de inteligência artificial.
“Uma tela maior que parece tão natural e intuitiva quanto a do iPad”, afirmou Ternus.
A falta de uma definição mais clara chamou a atenção de Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies.
“A Apple normalmente não define quem é o comprador, mas, neste caso especificamente, realmente se afastou disso”, disse à Reuters.
O preço reforça a dúvida. Nos Estados Unidos, a versão mais cara do iPhone Duo chega a US$ 3.199, aproximadamente R$ 16,7 mil.
Lucas Rangel foi um dos primeiros criadores de conteúdo do Brasil a ter em mãos o iPhone dobrável. Ele esteve no Apple Park, em Cupertino, na Califórnia, para o lançamento.
Eu acho que as funções do iPhone Duo ainda serão descobertas. É um lançamento. Acho que desenvolvedores vão produzir aplicativos nativos para essa tela dobrável, para essa experiência de usar na tela de fora, de usar na tela de dentro, de usar na tela expandida. Acredito também que a própria Apple irá desenvolver novas funções. Mas eu ainda acho que vem um upgrade de você falar assim: ‘isso faz jus, esse é o motivo de eu ter comprado um telefone dobrável’
Sobre o uso para criação de conteúdo, o influenciador já percebe vantagens em aparelhos dobráveis:
Para mim é sempre vantajoso que todo novo telefone avance em algo na captação, na produção, na qualidade (das câmeras). Desta vez, como temos o lançamento do iPhone Duo, eu acho que a gente também vai poder brincar um pouco mais com ângulos, encontrar novas formas de captar o conteúdo. Acaba que, por ser um foldable, você consegue colocar ele e apoiar como se fosse um tripé. Agora eu estou tendo que apoiar o meu iPhone, que não é dobrável, num copo. Então, no meu caso, para os criadores de conteúdo, acho que o iPhone Duo seria um iPhone mais funcional do que o iPhone 18.
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O segmento continua pequeno diante do mercado geral de smartphones. A IDC estima que os celulares dobráveis representarão menos de 3% do mercado global em 2026. Para 2027, a consultoria não espera uma mudança significativa.
Neil Shah, vice-presidente da Counterpoint Research, também questionou o posicionamento do aparelho.
“Não ficou claro se ele é para trabalho ou lazer, mas acho que o que o iPhone sempre representou é ser um dispositivo versátil.”
A situação lembra o lançamento do Vision Pro, em 2023. O headset recebeu elogios pela tecnologia, mas o preço elevado e a falta de uma finalidade clara além do entretenimento levantaram dúvidas sobre seu potencial.
Mesmo com as incertezas, a Apple deve ter um começo forte. Shah estima que a empresa venda perto de 6 milhões de unidades do iPhone Duo até o fim do ano, impulsionada pela demanda acumulada entre usuários de iPhone. Esse volume representaria cerca de um quarto do mercado global de dobráveis.
A chegada da Apple também deve mexer com um segmento no qual a Samsung já ocupa a liderança.
A Samsung apresentou em julho um aparelho redesenhado e lançou uma campanha em resposta ao iPhone Duo, chegando a provocar a rival por supostamente estar “requentando nossas sobras”.




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