Alwalid Albaltan, presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, falou, em entrevista ao Notícias ao Minuto, sobre a cooperação entre os dois p...
Os laços económicos entre Portugal e Arábia Saudita estão cada vez mais estreitos, como indicia, de resto, a última missão do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal (SPBC), que decorreu entre 27 de setembro e 1 de outubro, na Arábia Saudita. Esta iniciativa reuniu 11 empresas e seis organizações de setores distintos, tendo contado ainda com a presença de membros do Governo português, designadamente o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa.
O SPBC, refira-se, tem vindo a promover Portugal como destino privilegiado para o investimento privado, proveniente da Arábia Saudita, e a apoiar a internacionalização das empresas portuguesas para o mercado saudita.Mas, afinal, o que procura a Arábia Saudita em Portugal? Alwalid Albaltan, presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal, responde a esta e a outras perguntas.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal tem promovido várias missões entre os dois países. O que mudou desde o início desta relação?
Nestes últimos dois anos mudou tudo, mas no bom sentido. Quando criámos o Conselho Empresarial da Arábia Saudita-Portugal (SPBC) em 2024, começámos logo a construir as bases para criar ligações estratégicas de longo prazo. Era necessário desenvolver uma relação de confiança e mostrar que havia vontade real dos dois lados em avançar para negócios concretos. Hoje, temos mais de 70 membros, realizámos mais de 50 encontros bilaterais com empresas portuguesas, assinámos acordos de cooperação em setores como a saúde, a construção ou o turismo.
Nos últimos dias, esteve na Arábia Saudita, a convite do SPBC, uma delegação de mais de duas dezenas de empresas e organizações empresariais portuguesas, além de membros do governo português, com destaque para a presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, ou do presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luis Filipe Menezes, e do diretor Executivo da Unicorn Factory Lisboa, Gil Azevedo, bem como a embaixadora portuguesa na Arábia Saudita, Luísa Fragoso.
Não se tratou de uma mera visita protocolar. É o resultado de dois anos de trabalho consistente do Conselho Empresarial a alimentar esta relação entre duas nações com grande potencial económico, a construir pontes e a demonstrar os benefícios que esta cooperação pode trazer, colmatando as necessidades da Arábia Saudita e abrindo portas à expansão internacional e ao fortalecimento económico de diversas empresas portuguesas.
Esta visita à Arábia Saudita foi um sucesso. Conseguimos reunir cerca de 100 representantes dos setores público e privado de Portugal e da Arábia Saudita num fórum empresarial (...) É exatamente o tipo de encontro que transforma intenções em projetos reais e foi mesmo esse o propósito
Esta última missão reuniu 11 empresas e seis organizações de setores muito diversificados, e contou também com a presença de membros do governo português. Afinal, o que procura a Arábia Saudita em Portugal?
Como tenho vindo a reiterar nas diversas visitas que já fiz a Portugal, queremos encontrar parceiros com know-how real e capacidade de execução célere para os mega-projetos que estão a nascer na Arábia Saudita, no âmbito da Saudi Vision 2030. Estamos a falar de uma estratégia de desenvolvimento acelerado, que está a gerar alguns dos maiores projetos de construção, turismo, infraestruturas e desenvolvimento urbano do mundo. Portugal tem empresas com enorme experiência nestas áreas. De facto, o que mais que me entusiasma nesta missão é precisamente essa diversidade no tecido empresarial: a Delta Cafés, Sana Hotels, ISQ ou a Flipkick representam um Portugal muito mais amplo do que aquele que normalmente se apresenta nos mercados internacionais.
O que destaca desta missão?
Esta visita à Arábia Saudita foi, de facto, um sucesso. Conseguimos reunir cerca de 100 representantes dos setores público e privado de Portugal e da Arábia Saudita num fórum empresarial, que foi o ponto alto desta visita. O programa contou com diversas entidades da Província Oriental da Arábia Saudita e com empresas de referência mundial como a Saudi Aramco e a SABIC. A agenda integrou apresentações institucionais e empresariais, sessões privadas entre empresários portugueses e sauditas e vários momentos de networking. É exatamente o tipo de encontro que transforma intenções em projetos reais e foi mesmo esse o propósito. Nesse sentido, reside aqui a grande relevância deste evento para potenciar negócios e a economia nacional.
Só posso dizer que o momento é agora. Uma janela de oportunidades irrepetível, num momento em que a Arábia Saudita está a dar um verdadeiro salto, a investir em várias frentes e a uma escala que poucos mercados conseguem igualar. Há espaço real para empresas portuguesas num leque vasto de setores
Que outras reuniões realça desta visita à Arábia Saudita?
A agenda foi muito preenchida. Tivemos reuniões com o vice-ministro da Economia e Planeamento da Arábia Saudita, com o diretor executivo da Autoridade Saudita de Promoção do Investimento (SIPA), que integra o Ministério do Investimento, o Governador da Autoridade Geral do Comércio Externo, bem como com a Milaf Global, uma empresa do Fundo de Investimento Público (PIF), o vice-governador da Monsha’at, a Autoridade Geral das Pequenas e Médias Empresas da Arábia Saudita, e o secretário-geral da Federação das Câmaras Sauditas. A missão incluiu representantes da SANA Hotels, Delta Cafés, Glowing, NLA – Nuno Leónidas Arquitectos, Flipkick, FEEDERS, Ephemeral Architecture, CUCo Security Suite, Basa Studio, VNCE Portugal e Dglobe International Contracting Co., a par das organizações ANJE, ISQ, AIMMAP, PRODUTECH, CATIM e CENFIM.
O programa incluiu ainda um workshop sobre investimento em Riade, realizado em cooperação com a Autoridade Saudita de Promoção do Investimento (SIPA) e o Ministério do Investimento da Arábia Saudita (MISA). Tudo isto demonstra o reconhecimento que esta missão teve para a economia saudita. Foram firmados alguns protocolos de cooperação, nomeadamente entre a Monsha’at e ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, para a partilha de conhecimentos, e o apoio às empresas portuguesas que pretendam entrar no mercado saudita.
Estas parcerias permitirão promover o intercâmbio de experiências no apoio ao ecossistema de empreendedorismo e às pequenas e médias empresas.
Que mensagem deixa às empresas portuguesas que ainda não olham para a Arábia Saudita como destino prioritário?
Só posso dizer que o momento é agora. Uma janela de oportunidades irrepetível, num momento em que a Arábia Saudita está a dar um verdadeiro salto, a investir em várias frentes e a uma escala que poucos mercados conseguem igualar. Há espaço real para empresas portuguesas num leque vasto de setores. O Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal quer ajudar estas empresas a singrar. Estamos no terreno, a ajudar a abrir algumas portas e a acompanhar as empresas neste caminho. As que chegarem primeiro terão vantagem e os próximos anos vão confirmar essa realidade. Portugal tem vindo a demonstrar o seu poder de inovação, a sua qualidade e trabalho de excelência. Posso dizer que é o match perfeito com aquilo que os investidores da Arábia Saudita procuram. Essa ousadia das empresas portuguesas será recompensada e dará frutos num futuro próximo.
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