Enquanto busca seu quarto título da Copa do Mundo, o segundo seguido, a Argentina celebra nesta quinta-feira (25) os 48 anos de sua primeira conquista mundial, em casa, em meio à brutal ditadura militar que assolava o país. Leia mais (06/25/2026 - 19h37)

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25.jun.2026 às 19h37

Enquanto busca seu quarto título da Copa do Mundo, o segundo seguido, a Argentina celebra nesta quinta-feira (25) os 48 anos de sua primeira conquista mundial, em casa, em meio à brutal ditadura militar que assolava o país.

Em 25 de junho de 1978, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, a alviceleste bateu na grande decisão a Holanda por 3 a 1, se vingando da derrota por 4 a 0 sofrida quatro anos antes, na Alemanha Ocidental, pela segunda fase de grupos.

O grande herói daquela conquista foi o centroavante Mario Kempes, responsável por abrir o placar para os donos da casa no fim do primeiro tempo.

Os holandeses buscariam o empate com o atacante Dick Nanninga quando a etapa complementar já se encaminhava para o final, com Kempes marcando o segundo gol da Argentina na prorrogação. O meia Daniel Bertoni ainda faria mais um para sacramentar a vitória alviceleste.

Revelado pelo Instituto Atlético Central Córdoba, tradicional clube da cidade de Córdoba, Kempes, então no Valencia, da Espanha, terminou como o artilheiro da competição, com seis gols em sete partidas.

O atacante passou em branco na fase de grupos, quando a seleção dirigida por César "El Flaco" (o magro) Luis Menotti —que causou polêmica ao deixar o então jovem Diego Armando Maradona, de 17 anos, fora da convocação final— venceu a Hungria e a França por 2 a 1 e perdeu para a Itália por 1 a 0, classificando-se em segundo lugar.

Na segunda fase de grupos, modelo adotado à época que definiria as seleções que disputariam a final e o terceiro lugar, a Argentina venceu a Polônia por 2 a 0, com dois gols de Kempes, e em seguida ficou em um empate sem gols com o Brasil de Zico e Roberto Dinamite.

A terceira rodada teria então um dos jogos mais controversos da história das Copas do Mundo. Após a seleção brasileira vencer a Polônia por 3 a 1, a Argentina entrou em campo contra o Peru já sabendo que precisaria ganhar por uma diferença de pelo menos quatro gols para superar o Brasil no saldo e avançar à final.

A partida entre argentinos e peruanos, no estádio Gigante de Arroyito, em Rosário, terminou com a vitória dos donos da casa por 6 a 0, com dois gols de Mario Kempes, com a alviceleste seguindo para a decisão contra a Holanda.

O Brasil, por sua vez, venceu a Itália por 2 a 1 na disputa do terceiro lugar. Os gols da seleção brasileira foram marcados por Nelinho e Dirceu.

Com a Argentina liderada na ocasião pelo ditador Jorge Rafael Videla, muito especulou-se ao longo dos anos sobre suposta influência política para determinar o placar do duelo entre as seleções sul-americanas, nunca comprovada oficialmente.

"Realmente, já se passaram muitos anos, mas a gente sempre vai se lembrar com muita alegria. Custou muito conseguir a primeira. Mas uma vez que colocamos essa pedra fundamental que é necessária para que se construa algo muito maior, depois vieram os outros dois campeonatos mundiais", afirmou Kempes em vídeo publicado nesta quinta-feira em suas redes sociais, em referência aos títulos de 1986, no México, e de 2022, no Qatar.

"Então quero me parabenizar, parabenizar todos os meus companheiros por essa grande façanha que conseguimos alcançar. E dar essa primeira e grande alegria a todo o povo argentino. Naquele momento eram 25 milhões, hoje somos 45 milhões", acrescentou o ex-atacante.

Kempes ainda passaria ao longo da carreira pelo River Plate, onde conquistou o título nacional argentino de 1981, antes de seguir para clubes de menor expressão na Áustria. Ele encerrou a carreira em 1996 atuando pelo modesto Pelita Jaya, da Indonésia.