Arqueólogos encontraram uma mansão romana de 1.800 anos sob uma escola em Roma, com mosaicos, afrescos e salas preservadas. Confira!

Por Thiago Vieira, especial para a Gazeta do Povo

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleAdolescentes ajudam a descobrir casa de luxo de 1.800 anos embaixo de escola romana. (Foto: Wikimedia Commons )Ouça este conteúdo

Uma recente descoberta transformou uma escola de ensino médio de Roma em um novo ponto de interesse para pesquisadores da história do Império Romano. Debaixo do ginásio do colégio Liceo Scientifico Cavour, na região central da capital italiana, arqueólogos encontraram uma residência de luxo construída há cerca de 1.800 anos, com afrescos, mosaicos e ornamentações preservados.

A escavação foi iniciada em janeiro de 2026, depois que relatos feitos por estudantes sobre a existência de ambientes subterrâneos chegaram à Superintendência Especial de Roma por intermédio da professora de História e Latim Claudia Marino.

Os arqueólogos confirmaram que os espaços pertenciam a uma antiga domus, como eram conhecidas as casas das famílias mais ricas da Roma Antiga.

O curioso é que, durante anos, os alunos dessa escola contavam histórias sobre a existência de salas escondidas debaixo do ginásio onde praticavam esportes. Mas a lenda era real.

O imóvel preserva murais coloridos, mosaicos, relevos de estuque e outros elementos que ajudam arqueólogos a compreender como vivia parte da elite da Roma Antiga.

As 10 principais descobertas arqueológicas de 2025Arqueólogos encontram raro corante citado na BíbliaComo uma descoberta arqueológica desafia AristótelesComo e onde a descoberta da casa luxuosa de 1.800 anos aconteceu?Os primeiros indícios surgiram muito antes das escavações. Segundo a revista Live Science, diversos alunos exploraram, por conta própria, túneis subterrâneos existentes sob o prédio da escola e encontraram corredores e salas antigas.

A situação mudou quando Claudia Marino foi informada sobre as explorações clandestinas. Ela comunicou sobre o local ao órgão responsável pelo patrimônio arqueológico da cidade. A descoberta, porém, só foi divulgada em maio deste ano, pelo professor Filippo Coarelli, arqueólogo da Universidade de Perugia, na Itália.

O Liceo Scientifico Cavour fica situado em uma das áreas mais históricas de Roma, próxima ao Coliseu e ao Fórum Romano. Antes de funcionar como escola, o edifício abrigava uma congregação missionária católica.

Quando essa construção foi erguida, no fim do século XIX, arqueólogos já haviam encontrado parte de uma antiga domus. Mesmo assim, boa parte da construção permaneceu soterrada por mais de um século.

A região possui enorme importância histórica. Os historiadores acreditam que políticos famosos da Roma Antiga mantiveram residências neste bairro durante o período do Império Romano.

Os arqueólogos concluíram que a casa foi construída em meados do século II d.C. Até o momento, apenas uma parte da residência foi escavada, já que a estrutura continua abaixo do prédio da escola e provavelmente se estende por áreas ainda não exploradas. Por enquanto, o sítio arqueológico recebeu o nome de Domus Liceo Cavour. 

Embaixo do piso do ginásio estavam preservados diversos cômodos da antiga residência. Os arqueólogos encontraram paredes praticamente intactas, corredores estreitos e salas decoradas, protegidas durante séculos por camadas de terra e entulho.

Segundo Coarelli, um dos responsáveis pelas escavações, o trabalho foi particularmente complexo devido aos espaços reduzidos, sem iluminação natural e com pouca circulação de ar. Antes da retirada dos sedimentos, foi necessário reforçar parte da estrutura para evitar riscos de desabamento.

A residência preserva diversos elementos típicos das mansões da elite romana do século II. Entre os principais achados estão:

Os pesquisadores também identificaram grafites muito mais recentes, feitos entre as décadas de 1920 e 1950 por estudantes, visitantes e outras pessoas que tiveram acesso aos ambientes subterrâneos antes deles serem novamente esquecidos.

Os pesquisadores ainda não chegaram a uma conclusão sobre quem morou na residência. Segundo a Live Science, uma inscrição encontrada durante escavações realizadas no século XIX sugere que a residência pode ter pertencido a um integrante da família Umbrius, grupo sobre o qual existem poucas informações históricas.

Porém, os arqueólogos acreditam que eles são originários do centro-sul da Itália, próximo à Pompeia, e mudaram para a região.

Já o portal Wanted in Rome relata que análises estratigráficas identificaram antigos proprietários. O primeiro deles seria L. Fabius Gallus, um senador romano do século II d.C. Ele serviu como cônsul sufecto (equivalente a um vice-presidente) no ano de 131 e é conhecido principalmente por ser citado em objetos arqueológicos, como selos em canos de chumbo, já que ele teria sido o proprietário de um sistema de abastecimento de água privado em Roma.