Relatório da Polícia Federal tornado público por André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, sugere proximidade de Moraes com o ex-banqueiro.
O relatório da PF reproduz as mensagens e as inclui entre comunicações atribuídas ao contato salvo no aparelho de Vorcaro como "Alexandre de Moraes BRASILIA". Segundo os investigadores, análises dos dados extraídos do celular indicam que mensagens e capturas de tela eram encaminhadas para esse contato através do WhatsApp.
Os metadados em formato digital do relatório da PF mostram o nome e o usuário vinculado Moraes como o autor da última modificação ou edição do arquivo contratual. O documento foi enviado por Viviane Barci de Moraes a Vorcaro através de aplicativo de mensagens e extraído do celular do ex-banqueiro.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirma que "o setor de compliance do escritório, [...] solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente".
"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", conclui a nota.
"Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso", escreveu o ex-banqueiro ao acionar seu sócio. "Contato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas".
Mais tarde, Vorcaro mandou mensagem para uma de suas funcionárias, descrita no aplicativo como "Romy Banco Master", a quem repetiu que o depósito para o Barci de Moraes era o "mais importante".
"Romy, esse barci Moraes [sic] por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos", escreveu. Após a funcionária dizer que estava fazendo o pagamento, Vorcaro a orientou a acompanhar o processo mensalmente e pagar "do jeito que for".
"Mas todo mês acompanha isso pra mim. Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for", afirmou.
Na mensagem, Vorcaro escreveu, segundo a PF: "Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser."
No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro teria perguntado a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora [do país]?". Em outra mensagem , Vorcaro propõe um encontro: "Às 14h então, na sua casa ou na minha?".
"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso, meu Deus", acrescentou o ex-banqueiro.
No dia seguinte, Vorcaro teria questionado Moraes em mensagem no WhatsApp: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?".
Ele acabou sendo preso pela PF na noite de 17 de novembro, quando tentava embarcar em um avião particular no Aeroporto Internacional de São Paulo.
O relatório da PF também aponta que o dono do Banco Master teria autorizado a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil em nome dos filhos de Moraes e Viviane Barci.
"Oi tudo bem?", teria respondido Vorcaro, antes de encaminhar os contatos do banco.
Ele responde com um "Ok".
O relatório afirma que o ex-banqueiro negociou a transferência de cotas de um jatinho e um helicóptero como pagamento para o escritório de Viviane Barci de Moraes. Um segundo contrato revelado pela PF previa o pagamento de R$ 50 milhões pelos serviços advocatícios prestados pelo escritório.
Desses, R$ 40 milhões seriam quitados pelas cotas das duas aeronaves. Os outros R$ 10 milhões entrariam como reembolso das despesas relacionadas aos voos.
Em julho de 2025, Vorcaro cobrou resoluções sobre pendências de ativos e discutiu a liberação das aeronaves com interlocutores ligados à empresa Prime You, especializada no compartilhamento de bens de luxo.
Em uma das conversas, Vorcaro perguntou a seu sócio Marcus Vinicius da Mata se as aeronaves já estavam sendo utilizadas pelo escritório de Viviane.




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