Medida urgente para restaurar saúde das contas públicas enfrenta resistência entre aliados estratégicos do presidente
Priorize VEJA no Google Uma semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o horizonte para o equilíbrio das contas públicas no quarto mandato do petista já começa a se mostrar turvo. Mesmo diante do perigoso quadro fiscal do país, vozes importantes com trânsito no Palácio do Planalto vêm se manifestando contrárias a medidas de austeridade que possam colocar em risco os carros-chefes da campanha eleitoral do petista.
Um dos principais opositores ao ajuste fiscal é Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, o psolista diz que quem exige corte de gastos em políticas sociais “não entendeu nada” da campanha eleitoral de 2026.
“O ‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA”, diz Boulos, em alusão à derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e à subsequente fuga do país. O “tesouraço” nas contas públicas era um dos pilares da campanha bolsonarista ao Planalto — a promessa ganhou forte tração junto ao setor privado, embora o próprio senador tenha defendido programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida e evitado detalhar se os cortes de gastos atingiriam esses benefícios.
Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA. A agenda econômica do Brasil…
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) October 29, 2026
Outro integrante do alto escalão do governo petista que se opõe ao corte de gastos é José Guimarães, ministro-chefe das Relações Institucionais do Planalto. Membro da alta cúpula do partido, Guimarães afirmou em entrevista, dois dias após a vitória de Lula, que o ajuste fiscal “não foi discutido e nem está sendo discutido”.
As declarações de Boulos e Guimarães vão em rota de colisão com a postura de Dario Durigan, ministro da Fazenda, que defende uma atuação mais incisiva do governo sobre os gastos públicos para melhorar a relação com o mercado financeiro. Segundo o principal nome da equipe econômica, o governo já tem medidas de ajuste fiscal preparadas para enviar ao Congresso nas próximas semanas.
Longe de ser um problema abstrato, o alto endividamento público da União gera prejuízos concretos à economia e causa desgastes à relação já turbulenta entre o petismo e o mercado financeiro. Na segunda-feira, 26, dia seguinte à reeleição de Lula, o Ibovespa recuou mais de 10% logo na abertura do pregão e forçou a B3 a ativar o “circuit breaker” — mecanismo automático que interrompe as negociações na Bolsa quando o principal índice recua de solavanco, de maneira a evitar um derretimento dos ativos.



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