O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja fazer um pronunciamento em horário nobre nesta quinta-feira focado na segurança nas eleições, trazendo novamente à tona as críticas de longa data aos sistemas de votação e à administração eleitoral, em um…

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja fazer um pronunciamento em horário nobre nesta quinta-feira focado na segurança nas eleições, trazendo novamente à tona as críticas de longa data aos sistemas de votação e à administração eleitoral, em um momento em que os republicanos enfrentam dificuldades para manter o controle do Congresso nas eleições de novembro.

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A Casa Branca ainda avalia se o discurso de Trump incluirá a divulgação de informações sigilosas de inteligência relacionadas à intenção ou à capacidade da China de interferir na eleição presidencial americana de 2020, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters. Segundo elas, alguns integrantes do governo temem que essas informações possam ser enganosas.

O discurso, que consta na agenda do presidente, está previsto para 21h (horário de Washington, 22h em Brasília). Ainda não está claro se as redes de televisão concederão espaço na programação para o discurso de Trump, prática normalmente reservada a pronunciamentos de grande relevância nacional. Alguns democratas pediram que as emissoras não transmitam o discurso, argumentando que Trump provavelmente repetirá alegações já desmentidas sobre as eleições.

"Como de costume, fontes anônimas estão especulando sobre o que o presidente Trump dirá em seu discurso na noite de quinta-feira", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. "A verdade é que ninguém sabe ainda o que o presidente Trump acabará dizendo."

Trump passou anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, afirmando falsamente que a derrota para o democrata Joe Biden em 2020 foi fraudada. Ele também promoveu outras alegações falsas, incluindo a de que a votação pelo correio é amplamente marcada por fraudes, que as máquinas de votação são vulneráveis e que o voto de não cidadãos é disseminado.

Diversos tribunais e processos de recontagem de votos não encontraram evidências de fraude em larga escala na eleição de 2020.

As informações de inteligência sobre a China, coletadas durante o primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021, não mostraram que Pequim tenha manipulado ou alterado votos, disseram as fontes à Reuters.

Uma força-tarefa da Casa Branca liderada pelo jornalista conservador John Solomon solicitou recentemente à comunidade de inteligência documentos detalhando essas informações e passou as últimas semanas analisando o material antes do discurso de Trump, segundo uma fonte familiarizada com o trabalho do grupo.

Nos últimos meses, Trump também pressionou os republicanos no Senado a avançar com um projeto de lei, o SAVE America Act, que exigiria documento oficial com foto para votar e comprovação da cidadania americana para o registro eleitoral, além de obrigar os Estados a compartilhar informações sobre eleitores registrados com o governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a proposta restringiria votos legítimos.

Alguns líderes republicanos têm aconselhado Trump a concentrar sua atenção em temas considerados mais importantes para os americanos, como o alto custo de vida, em vez de voltar a discutir a eleição de 2020.

"Não sei o que ele vai dizer", afirmou o líder da maioria no Senado, John Thune, ao ser questionado na quarta-feira se aconselharia Trump a evitar falar sobre a eleição de 2020. "A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acredito que a maioria dos meus colegas também."

Os republicanos enfrentam um cenário político desfavorável às vésperas das eleições de meio de mandato, com a popularidade de Trump em terreno negativo e os eleitores profundamente insatisfeitos com a guerra contra o Irã e os elevados preços da energia decorrentes do conflito.

Os democratas precisam conquistar apenas três cadeiras atualmente ocupadas pelos republicanos para obter a maioria na Câmara dos Representantes. Já no Senado, porém, enfrentam uma disputa muito mais difícil, com eleições decisivas ocorrendo em Estados de tendência republicana.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o partido está se preparando para uma eventual tentativa da Casa Branca de manipular a eleição de novembro.

"Eles sabem que não conseguem vencer a eleição de forma justa", disse Schumer. "Por isso, não descartamos que tentem fazer tudo o que estiver ao alcance deles."