De JP Simon a Joe D'Amato, passando por Victoria Sloan e Thomas Lee: o fascinante mundo dos pseudônimos no cinema

A Era de Ouro do cinema dos anos 80 foi como uma série de bailes de máscaras, onde Juan Piquer Simón podia se passar por JP Simon (devido ao mercado ainda receoso de nomes espanhóis) e Jesús Franco podia se tornar, conforme o caso, Jess Franco, Jess Frank, David Khune ou AL Mariaux. O complexo europeu não afetou apenas o cinema espanhol, pois era muito prevalente nos filmes italianos: assim, Antonio Margueretti tornou-se Anthony M. Dawson e Antony Daisies; Aristide Massaccesi tornou-se Joe D'Amato; assim como Andrea Bianchi como Andrew White, sempre transitando entre gêneros liminares como terror, ficção científica, suspense, sexploitation e pornografia.

Sem barreiras de gênero O controverso caso de Carmen Mola trouxe à tona todos aqueles nomes e disfarces que por vezes também implicavam uma mudança de sexo, como é o caso de Franco, que usou o nome da sua esposa e estrela Lina Romay para assinar alguns dos seus filmes. David DeCoteau, diretor de comédias trash e cada vez mais especializado em filmes B com forte teor homoerótico, assinou alguns de seus filmes como Victoria Sloan ou Ellen Cabot. Até Steven Soderbergh usou o nome Mary Ann Bernard para creditar a edição de Solaris.

Na maioria das vezes, o uso de pseudônimos decorria da insatisfação com o resultado final e da consequente transferência da culpa para a primeira pessoa que estivesse por perto. A pornografia também ficaria famosa por seus pseudônimos quando produzida por diretores que não queriam que seu prestígio fosse manchado: Henri Pachard, Henri Paris, Damon Christian, Armand Weston, Alex deRenzy e Bruce Stevens não passavam de máscaras intercambiáveis.