O lateral dá voz a uma realidade vivida por muitas famílias e, por meio de sua experiência, ajuda a dar visibilidade ao tema

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17.jul.2026 às 22h03

É impossível não reparar nos longos cabelos cacheados que balançam de um lado para o outro no campo durante os jogos disputados pela Espanha nesta Copa do Mundo.

Eles são marca do lateral espanhol Marc Cucurella, recém-contratado pelo Real Madrid —clube pelo qual jogará na próxima temporada após atuar quatro anos pelo Chelsea, da Inglaterra. Foi no time inglês que passou a comemorar seus gols pulando como um pinguim.

"Vi na internet que os pinguins escolhem um parceiro e uma família para a vida toda. E permanecem juntos para sempre. Por isso quero lembrar da minha família, que sempre me apoia nos melhores e nos piores momentos. Essa comemoração é para eles", explicou o jogador em uma entrevista coletiva.

O atleta, de 28 anos, tem três filhos —Mateo, Río e Bella— com Claudia Rodríguez. Sempre que pode, ele reforça que a família está acima do futebol.

Cucurella vive um momento especial na carreira. Além da transferência para o Real Madrid, ele disputará no domingo (197) a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Argentina.

Mas, embora, como ele próprio diz, pareça que a vida dos jogadores de futebol é perfeita, "que não temos problemas pessoais", a realidade é outra: "nós também temos".

Entre os desafios cotidianos que raramente são vistos das arquibancadas está a jornada que ele enfrenta ao lado do filho Mateo, diagnosticado aos 3 anos de idade com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de nível 1 de suporte.

Segundo o Boston Children's Hospital, o TEA é um transtorno do "desenvolvimento neurológico". Isso significa que ele afeta a maneira como uma criança pensa, se movimenta, fala ou se comporta.

O transtorno é caracterizado por dificuldades na comunicação social, comportamentos repetitivos e, em alguns casos, habilidades cognitivas limitadas ou desiguais.

"Meu filho mais velho foi quem, de certa forma, mudou a nossa vida. Quando ele começou na escola infantil, começamos a perceber algumas diferenças. Víamos que, nas fotos das crianças brincando, ele sempre aparecia um pouco sozinho", contou o jogador à emissora pública espanhola RTVE ao lembrar como a família percebeu que o filho era autista.

"À medida que ele foi crescendo, percebemos que ele não falava, que não balbuciava muito. Essa fase foi provavelmente a mais difícil. Ver seu filho sofrer, acredito que seja uma das coisas mais duras que existem", afirmou.

Cucurella diz que tem dificuldade para falar sobre o assunto e admite que "às vezes não sabe como ajudar o filho".

Mas tudo isso o ensinou a enxergar a vida com mais paciência, empatia e sensibilidade. O jogador reconhece que sua posição como atleta de elite lhe dá uma voz importante para dar visibilidade ao tema e ajudar outras famílias.

"Estou muito feliz que, com o alcance que temos, isso ganhe repercussão e sirva para ajudar mais famílias, para que sejam abertas mais escolas ou mais centros de ajuda e apoio. Para mim, isso serviu para dar valor e priorizar as coisas que realmente são importantes", afirmou.