Ex-comissionados do Executivo foram nomeados em gabinetes e cargos de administração do Legislativo, presidido por Douglas Ruas (PL)

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24.jun.2026 às 12h19 Atualizado: 25.jun.2026 às 13h40

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Rio de Janeiro e Paracambi (RJ)

Pelo menos 30 pessoas exoneradas desde abril pelo governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, foram nomeadas em cargos na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

As nomeações ocorreram tanto na estrutura administrativa da Casa quanto em gabinetes de 13 deputados estaduais que, em sua maioria, integravam a base do governo anterior de Cláudio Castro (PL).

O levantamento de 30 realocados, feito pela Folha cruzando Diários Oficiais do Executivo e do Legislativo, não leva em consideração os integrantes de equipes fixas de ex-secretários que tinham mandato parlamentar e voltaram à Alerj.

Parte das nomeações ocorreu no dia seguinte à publicação das exonerações.

Desde março, retomaram mandatos os deputados estaduais Bruno Dauaire (União Brasil), Gustavo Tutuca (PP), Anderson Moraes (PL) e Douglas Ruas (PL). O último é o atual presidente da Alerj. Todos realocaram funcionários no Legislativo.

Também nomearam ex-comissionados do governo os gabinetes de Dionísio Lins (PP), Vitor Junior (PDT), Carlos Augusto (PL), Renan Jordy (PL), Giselle Monteiro (PL), Filipe Soares (PSDB), Pedro Brazão (PSDB), Rodrigo Amorim (PL) e Sarah Poncio (Solidariedade).

Todas as assessorias de deputados procuradas pela reportagem afirmaram, por mensagem ou ligação, que as nomeações nos gabinetes atendem a critérios técnicos e que os funcionários possuem experiência na área de administração. Alguns enviaram currículos ou informação sobre formação profissional.

Após analisar a relação com os nomes, a assessoria da Alerj também respondeu por email que "as nomeações obedecem a critérios técnicos, compatíveis com as ocupações dos servidores".

Das 30 nomeações, 13 envolvem cargos no núcleo administrativo da Alerj. Seis pessoas foram nomeadas para assessoria especial de plenário, duas para assistência da presidência, outras duas para departamento de legislação pessoal, e outros para os cargos "assuntos legislativos", "consultoria de planejamento e orçamento" e "subsecretaria da escola do legislativo".

O salário desses nomeados no Legislativo varia entre R$ 1.500 e R$ 8.800, segundo tabela da Alerj referente a maio.

O governo diz ter exonerado 3.920 servidores comissionados desde 23 de abril, data em que o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a manutenção de Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, à frente do Palácio Guanabara. Àquela altura ele estava havia um mês no cargo e já tinha feito cortes.

A gestão interina completou três meses nesta terça-feira (23).

A reportagem pediu comentários ao governo Couto sobre as exonerações. Em nota, ele afirmou que estima economizar R$ 230 milhões com as demissões até o final do ano e que "novas exonerações serão efetivadas à medida que os trabalhos internos de auditoria são executados pela Casa Civil e Secretaria de Estado de Governo".

O governo não quis comentar as nomeações pela Alerj. Também não respondeu o que motivou as exonerações realizadas até o momento.