“Se para mim foi aterrorizante, imagine para meu filho.” A frase da mãe traduz o drama vivido durante meses pela família, que buscava uma explicação para as até 30 convulsões sofridas pelo adolescente de 14 anos, com paralisia cerebral, sem saber que a violência partia do técnico de enfermagem de 28 anos contratado para cuidar dele. O menino não anda, não senta, não fala e tem deficiência visual. Nascido com cinco meses de gestação, passou os primeiros seis meses
Câmeras flagraram agressões contra jovem de 14 anos, que chegou a ter 30 convulsões em uma noite
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Técnico de enfermagem de 28 anos foi preso preventivamente suspeito de torturar adolescente de 14 anos com paralisia cerebral em Campo Grande. O profissional, contratado para cuidar do jovem, foi flagrado por câmeras de segurança agredindo o paciente. As agressões causaram aumento de convulsões e internação hospitalar. A mãe registrou boletim de ocorrência após ver as gravações e o suspeito foi detido após autorização judicial.
“Se para mim foi aterrorizante, imagine para meu filho.” A frase da mãe traduz o drama vivido durante meses pela família, que buscava uma explicação para as até 30 convulsões sofridas pelo adolescente de 14 anos, com paralisia cerebral, sem saber que a violência partia do técnico de enfermagem de 28 anos contratado para cuidar dele.
O menino não anda, não senta, não fala e tem deficiência visual. Nascido com cinco meses de gestação, passou os primeiros seis meses de vida internado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e precisa de cuidados permanentes.
Para auxiliar na rotina, a família contratou uma empresa, que disponibilizou o técnico de enfermagem. Durante mais de oito meses, ele frequentou a casa, conquistou a confiança da mãe e o carinho do adolescente.
“Eu brincava com ele e dizia: ‘Você é meu filho mais velho’. Meu filho não podia ouvir o nome dele sem ficar feliz. As pessoas não têm noção do amor que ele sentia por esse profissional”, contou a mãe.
A confiança começou a ruir em abril, quando as convulsões, até então controladas com medicamentos, aumentaram de forma repentina. Os episódios aconteciam principalmente à noite e chegaram a se repetir dezenas de vezes.
A primeira suspeita foi de que as crises estivessem relacionadas às mudanças hormonais da adolescência. A família procurou uma neurologista, refez exames e trocou a medicação. A quantidade do remédio no organismo estava correta, mas as convulsões continuavam.
Foi o namorado da mãe quem percebeu um padrão: as crises, os gritos durante a madrugada e o comportamento de terror surgiam nos dias em que o técnico trabalhava.
“Eu falei que não poderia ser, porque confiava muito nele. Confiava de verdade. Meu filho também gostava muito dele. Mesmo assim, comecei a observar.”
A descoberta ocorreu depois que uma fisioterapeuta presenciou uma situação considerada estranha. Segundo a mãe, o técnico aspirava o adolescente e não interrompeu o procedimento mesmo após ser advertido. A profissional precisou empurrá-lo para que parasse.
A mãe estava fazendo uma prova da faculdade de pedagogia, cursada pela internet, quando recebeu a ligação. Ela voltou imediatamente para casa e dispensou o técnico, que estava próximo do fim do plantão. Em seguida, abriu as gravações das câmeras instaladas na sala.
O Campo Grande News teve acesso às imagens registradas no dia 2 de junho. Em um dos vídeos, o técnico dá um tapa na testa do adolescente. Em outro momento, vira a cadeira em que ele está e o deixa de cabeça para baixo sobre o sofá.
As gravações também mostram o profissional acendendo um cigarro dentro da sala, no mesmo ambiente em que o menino permanecia, apesar de conhecer o histórico de asma e os graves problemas pulmonares do paciente.
“Fiquei apavorada. Liguei para o meu namorado, para o pai dele e avisei a empresa. Bloqueei o técnico e falei que não queria que ele voltasse”.
O que mais atormenta a mãe é saber que as agressões flagradas aconteceram em uma sala com duas câmeras, cuja existência era conhecida pelos profissionais.
“Eu não entendo por que ele fez aquilo na frente das câmeras. Foi a única vez que consegui ver. Isso me faz pensar no que pode ter acontecido longe delas. O que o meu filho passou?”
Enquanto as agressões não eram descobertas, o estado de saúde do adolescente piorava. Ele chegou a ser internado durante três ou quatro dias, após um longo período sem hospitalizações. Conforme o relato, os médicos constataram que ele estava broncoaspirando saliva, condição em que o conteúdo segue para os pulmões.
A mãe acredita que a dificuldade de deglutição foi agravada pelos períodos em que o filho era mantido inclinado ou de cabeça para baixo. O adolescente também voltou a apresentar crises de asma.


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