Ativistas polonesas puseram em operação o primeiro armário do país destinado à distribuição de pílulas para aborto farmacológico. Apelidado de “abort...

Equipamento com 22 compartimentos funciona em frente ao Parlamento e busca contornar a legislação restritiva do país

Ativista mostra envelopes com medicamento abortivo retirados de armário Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Ativistas polonesas puseram em operação o primeiro armário do país destinado à distribuição de pílulas para aborto farmacológico.

Apelidado de “abortomat”, o equipamento fica em um centro de apoio criado há mais de um ano em frente ao Parlamento e permite a retirada rápida e anônima dos medicamentos, segundo a agência AFP, cujo fotógrafo acompanhou a inauguração.

O armário rosa tem 22 compartimentos, cada um com envelopes que contêm os remédios usados no aborto farmacológico. Segundo as ativistas, “as pílulas são dispensadas por uma máquina operada por uma organização sediada fora da Polônia”.

Kinga Jelinska, diretora da Women Help Women, disse à AFP: “Buscamos constantemente soluções para tornar o acesso ao aborto mais simples, mais acessível, menos impessoal e mais centrado nas pessoas”.

Na Polônia, o aborto é permitido em dois casos: quando a gravidez resulta de crime, como estupro ou incesto, e quando há risco à vida ou à saúde da gestante. Nenhuma lei pune a mulher que interrompe a gestação por conta própria, por exemplo com pílulas compradas pela internet.

Já o auxílio ao aborto é punido com até três anos de prisão.

O centro não funciona como clínica médica convencional: oferece recursos, sobretudo pílulas, e um espaço para buscar apoio ou realizar o aborto farmacológico. Fica diante do Parlamento, que não cumpriu as promessas de flexibilizar as regras sobre o tema.

As ativistas afirmam que brechas legais permitem a continuidade das atividades. “O abortomat é, de certa forma, um ‘subterfúgio’ contra a lei”, disse Jelinska. A abertura do centro provocou protestos de grupos católicos conservadores.