Perua elétrica de R$ 699.990 combina 440 km de autonomia, recarga de 270 kW e um acerto mais confortável que a da também perua A5 Avant
A Audi A6 Avant e-tron chega ao Brasil por R$ 699.990 com uma proposta que, de certa forma, desafia algumas associações quase automáticas que fazemos com a marca.
Ela é uma perua Audi com desempenho de sobra. Até aí, sem novidades. Mas não tem motor a combustão e, nesta configuração, também não tem tração quattro.
A convite da Audi, pude dirigir o modelo e esse foi justamente um dos pontos que mais me chamou atenção. A A6 Avant e-tron não tenta reproduzir exatamente a experiência de um Audi tradicional. Ela usa a eletrificação para criar outra personalidade: mais silenciosa, mais confortável e, ao mesmo tempo, ainda bastante interessante para quem gosta de dirigir.
O conjunto tem 367 cv e 57,6 kgfm de torque, enviados exclusivamente para as rodas traseiras. A aceleração de zero a 100 km/h acontece em 5,4 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada a 210 km/h.
Mais do que os números, porém, é a forma como o carro entrega isso que diferencia a experiência.
Eu tinha acabado de dirigir a A5 Avant quando passei para a A6 e a diferença ficou evidente logo nos primeiros metros.
A A6 Avant e-tron tem uma calibração de suspensão sensivelmente mais macia. Ele absorve melhor as irregularidades e transmite uma sensação de rodagem mais próxima do que normalmente esperamos de um SUV premium, só que sem a altura e sem a rolagem de carroceria de um veículo desse tipo.
É um acerto que combina muito bem com a proposta elétrica.
O carro roda em silêncio, filtra bem as irregularidades do piso e não exige aquela postura mais esportiva o tempo todo. Mas, quando você aumenta o ritmo, a carroceria continua bem controlada e a posição mais baixa é um show à parte.
Foi aí que a A6 começou a estabelecer uma relação interessante comigo. Só pelo visual e carroceria station já tinha me ganhado, mas o conforto de rodagem associada à boa dinâmica surpreenderam.
Outro ponto importante está no eixo que recebe a força. Nesta versão, a A6 Avant e-tron usa um único motor elétrico traseiro. Isso significa que não há tração quattro.
Para quem associa Audi diretamente a tração integral, pode parecer estranho. Só que essa escolha dá ao carro uma dinâmica diferente.
Quando você acelera forte, a sensação é claramente de o eixo traseiro te empurrar. É uma entrega mais típica deste tipo de conjunto, e bem menos a de “andar sobre trilhos” encontrada nos Audi com quattro.
Eu gostei dessa característica.
Ela deixa o carro um pouco mais comunicativo e ajuda a criar uma personalidade própria para a A6 e-tron.
Em piso seco, o conjunto transmite bastante segurança. Em uma estrada molhada, evidentemente, eu teria mais confiança com um sistema integral, embora o carro conte com toda a eletrônica necessária para controlar a entrega de torque.
Com 367 cv, a A6 Avant e-tron está longe de ser lento.
Ela acelera com muita força e, como acontece em bons elétricos, entrega torque imediatamente. Mesmo assim, não foi o desempenho puro que mais me impressionou.
O interessante está na forma como o carro ganha velocidade sem esforço. Não existe uma explosão desnecessária de potência nem uma tentativa de transformar cada saída de semáforo em uma corrida de dragster.
Tudo acontece de maneira muito linear.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário