Pablo Ortellado comenta as chances de Cury no 1º turno, explica como ele pode influenciar um eventual 2º turno e analisa o que pode ter levado ao crescimento repentino do candidato.

Role, Da BBC News Brasil em LondresPublished 31 agosto 2026Atualizado 2 setembro 2026Tempo de leitura: 9 minO escritor e psiquiatra Augusto Cury teve uma semana cheia: participou do primeiro debate presidencial, na Band; foi sabatinado pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela rádio CBN; e, depois, pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

As entrevistas, embora tenham rendido críticas dos jornalistas pelo caráter vago de algumas afirmações e pela indisposição do candidato em responder a perguntas que, segundo ele, o colocariam no centro da polarização, parecem ter surtido efeito: Cury deu um salto nas pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg, divulgadas na manhã de segunda-feira (31/8), e na Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2/9).

Considerando a média dos levantamentos publicados até o dia 2 de setembro por diversos institutos, Cury ocupa o terceiro lugar da disputa, com 11% de intenção de voto no primeiro turno, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta, com entrevistas realizadas entre 30 de agosto e 1º de setembro, mostra Cury com 10%. dos votos, isolado na terceira colocação e depois do presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 37%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 29%.

Ele está bem à frente de Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), com 1% cada.

Na pesquisa BTG/Nexus — realizada entre os dias 28 e 30 de agosto, ou seja, de sexta-feira a domingo —, o escritor aparece com 8% das intenções de voto, depois de Lula (37%), e Flávio Bolsonaro (30%).

Foi um crescimento de oito pontos percentuais, já que, na pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira passada (24/8), Cury não havia pontuado.

Isso no voto espontâneo, quando os eleitores são questionados sobre em quem votariam caso as eleições fossem hoje. Já no voto estimulado, quando os entrevistadores apresentam os nomes dos candidatos antes da resposta, Cury chegou a 11%, nove pontos percentuais acima dos 2% registrados na pesquisa anterior.

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Mesmo considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Cury ainda mantém o terceiro lugar dos candidatos com mais intenções de votos.

O mesmo movimento foi observado na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre os dias 25 e 30 — de terça-feira a domingo.

O levantamento também mostra Cury em terceiro lugar, com 7,8% das intenções de voto, atrás de Lula e Flávio e à frente de Renan Santos, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Na visão do analista Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP), Cury está desempenhando o mesmo papel que Ciro Gomes, Simone Tebet e Marina Silva tiveram em pleitos passados, atraindo o eleitor que busca uma alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro.

O escritor também teve um crescimento significativo nas redes sociais, de milhões de seguidores no Instagram, e nas buscas por seu nome no Google, o que levou internautas a acusá-lo de usar robôs para inflar sua popularidade.

Cury negou que tenha praticado qualquer irregularidade. "Robôs não respondem a pesquisas, não comparecem às mobilizações e não declaram voto", disse a condenadora-geral da campanha do escritor, Luciana Martins.

"A campanha está à disposição para apresentar informações e colaborar com qualquer apuração técnica séria. Acusações dessa gravidade precisam estar acompanhadas de provas, não de suposições construídas para desqualificar um movimento legítimo da sociedade", acrescentou Martins.

Ortellado, no entanto, discorda da acusação. Para ele, o desempenho de Cury nas pesquisas de intenção de voto é um indicativo de que o aumento de sua popularidade não se deve à ação de robôs, já que esse tipo de levantamento não pode ser manipulado dessa forma.

O especialista também afirma que, do ponto de vista técnico, é muito difícil fraudar os dados de buscas do Google.