O candidato à presidência da República Augusto Cury é um dos nomes do centro na corrida eleitoral. Seu partido, Avante, também segue na mesma linha ideológica. Ao Valor, Cury se definiu como “mente de direita e coração social” e ainda afirmou que, apesar de …

O candidato a presidente da República Augusto Cury é um dos nomes do centro na corrida eleitoral. Seu partido, Avante, também segue na mesma linha ideológica.

Ao Valor, Cury se definiu como “mente de direita e coração social” e ainda afirmou que, apesar de ser de centro, “não é aquele centro em cima do muro, mas que constrói o muro”.

No seu slogan de campanha eleitoral, Cury adotou a frase “centrado no que importa”, o que traz uma brincadeira com sua ideologia política.

"Cury é de centro, mas não aquele ‘centrão’, que não se conecta com as extremidades, mas está ali disposto a negociar pela governabilidade. Do ponto de vista econômico, ele tem uma perspectiva mais liberal, em que ele está mais alinhado ao que a centro-direita defende. Mas, do ponto de vista social, as preocupações com a fome, saúde mental, o alcance e a qualidade das políticas públicas o colocam dentro da centro-esquerda", explica Leon Victor de Queiroz Barbosa, professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Para explicar a “mente de direita” supracitada, o candidato do Avante explica que defende o “melhor do capitalismo”, com Estado enxuto, empreendedorismo, meritocracia, liberdade de expressão, liberdade religiosa e baixos impostos. Esses tópicos ajudam Cury a se aproximar da centro-direita, pontua Barbosa.

Além disso, ele afirma que, caso eleito, fará mudanças na estrutura da política da brasileira. “O Brasil vai ser semipresidencialista, com um primeiro-ministro para cuidar do dia a dia do país e o presidente em cargo estratégico. Para esse cargo, acredito no Tarcísio de Freitas, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior”, informou o candidato.

Para o professor da UFPE, porém, essa mudança não é tão simples e não pode ser classificada como de direita ou de esquerda. Transformar o país em semipresidencialista requer mudança nos sistemas eleitoral e partidário, segundo Barbosa. Ele explica ainda que, para o cargo de Primeiro-Ministro, deve-se considerar alguém com “fortíssima experiência legislativa”.

Outras mudanças sistêmicas propostas por Cury foram a mudança no número de ministros e o tempo de cargo no Congresso Nacional, assim como o fim da reeleição no país.

Cury se coloca como uma alternativa à polarização, afirma o professor da UFPE. Para o especialista, o candidato do Avante tenta aperfeiçoar onde ambos os polos falham.

“Ele tenta melhorar a parte da economia, ficando mais distante de Lula e mais próximo do que a direita pensa. Mas, ao mesmo tempo, na parte de política social, ele está mais próximo de Lula”, diz Barbosa.

O Avante se definiu ao Valor como um partido de “centro”. A legenda, que antes era conhecida como Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), passou a adotar o nome Avante em 2017.

Em seu estatuto, o partido se apresenta como uma legenda voltada à contemporaneidade e estabelece entre seus princípios o trabalhismo, o nacionalismo, o solidarismo cristão e a cooperação entre os povos.

*Estagiária sob supervisão de Diogo Max