Mendonça determina afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues Autoridades e políticos comentaram, nesta terça-feira (8), a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Depois da decisão, a Segunda Turma formou maioria para referendar o afastamento. No entanto, a conclusão da sessão foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes.

Mendonça determina afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues Autoridades e políticos comentaram, nesta terça-feira (8), a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Depois da decisão, a Segunda Turma formou maioria para referendar o afastamento. No entanto, a conclusão da sessão foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes. Além de Rodrigues, o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, também foi afastado. Veja abaixo: José Guimarães O ministro da Secretaria de Relações Institucionais classificou a decisão de Mendonça como "descabida" e "intromissão". "Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência a decisão do Ministro André Mendonça no que tange o pedido de afastamento do Delegado da polícia federal é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências", afirmou. William Marcel Murad, nº2 da PF O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad — segundo na hierarquia da corporação —, fez defesa pública do diretor-geral Andrei Rodrigues na manhã desta terça-feira (8). Durante discurso na cerimônia de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agente de Polícia Federal, Murad afirmou que a instituição resistirá a "ataques". "Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", declarou Murad. Segundo Murad, a atuação dos investigadores é "técnica, imparcial e livre de qualquer viés político". Diretoria da PF Onze diretores da Polícia Federal manifestaram, por meio de uma nota, seu "total apoio" ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição para o delegado William Marcel Murad, diretor-geral substituto. O comunicado foi divulgado nesta terça-feira (8), algumas horas depois da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e de Leandro Almada, da Diretoria de Inteligência do órgão. Assinam a nota: Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor/PF); Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF); Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber/PF); Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF); Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF); Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico (Ditec/PF); André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística (Dlog/PF); Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (Diren-ANP/PF); Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF); Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF); Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente (Damaz/PF). LEIA TAMBÉM: SADI: Em decisão para afastar diretor da PF, André Mendonça cita 1984, de George Orwell Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por decisão de André Mendonça Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) Em nota, a APCF afirmou que "acompanha com atenção o caso" e afirmou que o "afastamento do comando máximo de uma instituição de Estado é medida de excepcional gravidade e deve fundamentar-se em indícios concretos e verificáveis, submetidos, ainda que em momento posterior, ao devido contraditório". Leia a nota: "A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) acompanha com atenção os últimos acontecimentos envolvendo a Polícia Federal, em especial o pedido de afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues. O afastamento do comando máximo de uma instituição de Estado é medida de excepcional gravidade e deve fundamentar-se em indícios concretos e verificáveis, submetidos, ainda que em momento posterior, ao devido contraditório. Diante da excepcional gravidade institucional da medida, que afeta a Direção-Geral da PF, a APCF entende recomendável que a matéria seja submetida, com a mesma urgência com que foi tomada, à apreciação do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise do colegiado é fundamental para a legitimidade dos atos relacionados ao processo em questão, justamente por tratar de decisões com repercussão direta sobre a governança da segurança pública e o equilíbrio entre os Poderes. A APCF seguirá atenta aos desdobramentos do caso, confiando que as apurações em curso observarão as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa de todos os envolvidos, sempre em defesa de uma Polícia Federal de Estado, forte, técnica e independente". Flávio Bolsonaro (PL) Pelas redes sociais, o senador do PL e candidato à Presidência afirmou que o "grupo especial de Lula na Polícia Federal [foi] destacado oficialmente". Flávio ainda chamou o chefe da PF de "companheiro, camarada, amigo, irmão, brother, cupincha, parça, aliado, preposto, indicado, pau-mandado" do atual presidente. "Que a honrosa e gloriosa Polícia Federal volte a ter autonomia para ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula", disse Flávio. Augusto Cury (Avante) Em nota enviada pela campanha, o candidato do Avante elogiou a decisão e afirmou que Mendonça "está fazendo o que se espera de um juiz de verdade, e espero que todo o STF aja assim, de forma isenta e republicana." "O que apareceu não foi um erro de um diretor", disse o escritor. "Foi uma polícia transformada em instrumento político dentro do governo. Inteligência da Polícia Federal produzindo relatório sobre juiz, sobre advogado público, sobre decisão judicial. Isso tem nome: aparelhamento", afirmou Cury. Na nota, Cury ainda propôs mandato fixo para o diretor da PF, escolhido por lista tríplice, e criticou adversários. "Os governos de Bolsonaro e de Lula mostraram exatamente o que não se pode fazer com a PF", concluiu. Renan Santos (Missão) O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) publicou um vídeo em que comenta a decisão. Na gravação, além de falar que está feliz com a queda, Renan ataca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). "Pessoal, isso aqui é um pronunciamento oficial sobre a queda do Andrei Rodrigues. E antes de falar que obviamente que eu fico feliz com a queda dele, eu vou só trazer mais um elemento. Ninguém liga, ninguém liga o que tá acontecendo. Eu tô vendo agora bolsonaristas comemorando, mas que que vocês estão comemorando? Você estão comemorando que caiu o Andrei Rodrigues porque ele tinha ligações com o Daniel Vorcaro, então tinha que cair o candidato de vocês também, né? E lulistas estão preocupados, mas tinham que estar preocupados também com relação ao próprio Lula com isso ou não estão preocupados por conta das indústrias da impunidade que toca o Brasil?", disse. "É muito bizarro, né? E um tema que deveria ser objetivo, ele é tratado de maneira subjetiva por lados da política brasileira, simplesmente porque eles não têm vontade concreta em melhorar o Brasil, só querem defender seu ladrão de estimação. Mas vejo com muita felicidade essa essa queda". Ronaldo Caiado (PSD) Nas redes sociais, o candidato à Presidência Ronald Caiado (PSD) afirmou que a decisão de Mendonça foi "firme e corajosa". "Mais uma decisão firme e corajosa do ministro André Mendonça. Quem me conhece sabe que sempre defendi lei e ordem caminhando juntas, sem espaço para politização. As instituições de Estado precisam agir com total imparcialidade e respeito rigoroso à Constituição. É assim que uma autoridade de verdade exerce o seu papel. O Brasil precisa de postura firme no STF e em qualquer outra instituição do país!", afirmou. Romeu Zema (Novo) O candidato à Presidência do partido Novo, Romeu Zema, também comentou a decisão. "Conseguimos o afastamento do Chefe da PF. André Mendonça acaba de afastar o Andrei Rodrigues do Comando da PF. A decisão foi tomada com base no pedido do Partido Novo, após um relatório de 200 páginas encontrar menções ao Andrei no celular do Vorcaro. Enquanto muitos falam, a gente faz. E seguiremos firmes contra os intocáveis", afirmou. Gleise Hoffmann (PT) A candidata ao Senado pelo paraná Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que o afastamento significa "proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo do presidente". "Quem investigou os crimes de Daniel Vorcaro e prendeu a quadrilha do Master foi a Policia Federal comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues. Afastá-lo do cargo, como fez André Mendonça, é proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo do presidente Lula", disse. "Ao invés de afastar quem investigou e prendeu, André Mendonça tem de abrir o sigilo de toda a investigação envolvendo o banco Master e Vorcaro, inclusive tudo que já foi desoberto sobre as ligações com Flávio Bolsonaro e sua família. Sobre os milhões de Vorcaro para o filme Dark Horse.No fim tudo isso está acontecendo às vésperas das eleições, o que torna a decisão ainda mais questionável." Nikolas Ferreira (PL) O candidato à reeleição à Câmara dos Deputados por Minas Gerais Nikolas Ferreira (PL) publicou um vídeo comentando a decisão e afirmou que "o povo de bem do Brasil" está com o ministro André Mendonça. Veja o que ele disse no vídeo: "Pessoal, André Mendonça acaba de afastar Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF indicado pelo Lula, após um relatório aí de mais de 200 páginas onde é citado o Andrei Rodrigues com relações a Vorcaro e não é meramente conversas. Ou seja, André Mendonça toma essa decisão com 33 páginas embasadas constitucionalmente e quero ler um trecho aqui da decisão, que a suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos para o quê? Para fazer com que ele não tenha, por exemplo, uma utilização indevida das prerrogativas funcionais. Então, isso é só o começo e eu não tenho dúvidas que todo envolvimento criminoso com Vorcaro, todo envolvimento criminoso com o maior esquema fiscal do país, da história desse país... Quem tiver envolvido tem que pagar. E graças a Deus, ontem nós não somente dizemos que Alexandre de Moraes cairá, mas também demos toda a força para André Mendonça, que pode ter certeza até dia 4 de outubro muita coisa vai acontecer. Mas André Mendonça, o povo de bem do Brasil está com você." Lindbergh Farias (PT) O candidato a Deputado Federal pelo Rio de Janeiro Lindbergh farias (PT) fez uma publiicaççao nas redes sociais sobre o afastamento. Em vídeo, Farias chama Mendonça de "bolsonarista" e "fanático". Leia a transcrição do vídeo: "Esse ministro André Mendonça é um fanático bolsonarista que tá inebriado, se sentindo o máximo por ter sido citado pelo Nikolas e aplaudido por aquele gado bolsonarista na Avenida Paulista. Essa decisão dele de afastar o diretor-geral da Polícia Federal é totalmente irresponsável. Olha, eu tô aqui sem voz, mas tô gravando porque não dá para ficar calado. Não dá para ficar calado. Porque o André Mendoça sabe que se fosse no governo do Bolsonaro, o Vorcaro não estaria preso. Foi a Polícia Federal dirigida pelo Andrei que abriu o inquérito que prendeu o Vorcaro. Vorcaro é uma criação do governo do Bolsonaro". "Ele cresceu, ele se expandiu no governo do Bolsonaro. Agora, ministro André Mendonça, desculpa, Vossa Excelência tem que se explicar a nação. Por você tá protegendo o Flávio Bolsonaro? Cadê? Tá nas suas mãos há mais de 100 dias o caso do filme do Dark Horse. Aquela gravação do Flávio pedindo R$ 134 milhões pro Vorcaro. Aí vocês agora falam Vorcaro e Alexandre Moraes. Tudo bem. Todo mundo tem que ser investigado. Eu sinceramente, se tiver ministro supremo envolvido, tem que pagar deputado, senador. Agora, Flávio Bolsonaro, você não vai proteger. Nós não vamos ficar calados. Nós não vamos admitir uma intromissão como essa no processo eleitoral. Seja isento. Levante o sigilo de tudo. O que a gente quer, no caso do Banco Master, é que tudo seja levantado. Todo sigilo. Quem errou aí vai ter que pagar. Agora a gente sabe que o Flávio tá metido em tudo isso e nós não vamos deixar você, na véspera das eleições, há três semanas do processo eleitoral, interferir no processo para proteger esse Flávio Bolsonaro". André Mendonça e Andrei Rodrigues Gustavo Moreno/STF e Andressa Anholete/Agência Senado