Medições contemplaram testes de partida a frio e de emissões, mas sem verificação de longo prazo

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14.jul.2026 às 23h00 Atualizado: 15.jul.2026 à 0h07

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Os efeitos do aumento de 30% para 32% do teor de etanol anidro na gasolina não devem prejudicar os 37,9 milhões de veículos flex que circulam pelo Brasil. Esse número, porém, não conta toda a história. A falta de testes de durabilidade pode ser um problema para os 4,7 milhões de modelos movidos apenas pelo combustível de origem fóssil.

Os números fazem parte da edição 2026 do Relatório da Frota Circulante publicado pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), com dados referentes a 2025.

O documento mostra uma queda significativa na circulação de carros movidos a gasolina nos últimos dez anos (eram 11,9 milhões em 2016), mas que ainda são comuns tanto em versões antigas como nas concessionárias.

O protocolo para a adoção do E30 foi definido em dezembro de 2024. Ao longo do ano seguinte, coube ao IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), parceiro de testes veiculares da Folha, avaliar carros populares dos anos 1990 —época em que o teor de etanol anidro na gasolina era de 22%— e modelos importados com cerca de dez anos de uso abastecidos com a nova mistura.

Os resultados mostraram que, no curto prazo, os problemas se limitariam a um pequeno acréscimo no consumo de combustível. Como margem de segurança, as avaliações utilizaram também o E32, como o aprovado agora. Entretanto, não foram feitos testes de durabilidade, o que demandaria mais tempo.

Renato Romio, professor e chefe do laboratório de motores e veículos do IMT, explica que os critérios foram definidos por um comitê composto por representantes de diversas entidades, incluindo governo e montadoras, e aplicados pelo instituto.

"As partes dos testes relativas à dirigibilidade dos veículos, com avaliação da partida a frio, foram feitas com 32% de etanol anidro adicionado à gasolina devido à margem de tolerância de dois pontos percentuais", diz Romio. "A medição de emissões foi feita com o E30, mas as avaliações de durabilidade não foram feitas."

O professor diz que cabe ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) definir se as informações solicitadas são suficientes e, a partir daí, aprovar ou não quaisquer mudanças no teor de etanol na gasolina.

No mundo real, os problemas já ocorrem há tempos, envolvendo principalmente os veículos importados com sistemas mais refinados de injeção eletrônica. São modelos sensíveis a combustíveis de baixa qualidade ou com teor elevado de etanol. Muitos foram homologados e produzidos antes das mudanças recentes na legislação.

"Neste momento estamos fazendo o reparo de um Audi Q7 que teve problema com o combustível. O carro foi abastecido na estrada durante uma viagem e não havia gasolina premium disponível nos postos, sendo necessário usar a comum", conta Bruno Tinoco, dono da oficina Motorfast.

"Esgotamos o combustível na oficina, reabastecemos com a Podium [linha premium dos postos Petrobras] e fizemos alguns procedimentos para que o funcionamento fosse normalizado e a luz indicadora de efeito no sistema de injeção se apagasse."

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A gasolina premium mencionada por Tinoco não se restringe à Podium. A Ipiranga Ipimax Pro e a Shell V-Power trazem características semelhantes, como maior octanagem e, principalmente, teor de etanol limitado a 25%. O preço, contudo, é elevado. Nos postos de São Paulo, os valores por litro se aproximam de R$ 10.