Data ganha reconhecimento institucional, estimula novas pesquisas acadêmicas e amplia disputa de narrativa histórica
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1º.jul.2026 às 23h00
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Quando as imagens do caboclo e da cabocla cruzarem os portões do Pavilhão da Lapinha, em Salvador, na madrugada desta quinta (2), homens e mulheres estarão nas ruas para saudar as figuras míticas que representam o povo na guerra pela Independência na Bahia.
Mais do que um simples gesto de devoção, a reverência sumariza um patrimônio cultural de 203 anos, que une fé, identidade e memória em torno do 2 de Julho, a mais popular festa cívica do país.
A Bahia celebra o dia em meio a uma expansão de seu reconhecimento institucional, acadêmico e cultural, em um movimento que pretende projetar a data como um dos marcos centrais da consolidação da Independência do Brasil.
"O Sete de Setembro não dá conta da diversidade de experiências vivenciadas nas províncias. A Independência foi mais complexa, conflituosa e com personagens que ficam soterradas sob o mito do Grito do Ipiranga", aponta o historiador Sérgio Guerra Filho, professor da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia).
No campo legislativo, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram neste primeiro semestre um projeto de lei do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) que transfere a capital do Brasil para Salvador no dia 2 de julho. O presidente Lula (PT) sancionou a lei nesta quarta-feira (1º).
Embora tenha caráter apenas simbólico, a transferência da capital reconhece a importância da campanha militar travada na Bahia entre junho de 1822 e julho de 1823, considerada decisiva para a manutenção da unidade nacional.
A iniciativa da transferência da capital não surgiu de forma isolada. No ano passado, Lula encaminhou à Câmara dos Deputados um projeto que faz de 2 de julho o Dia Nacional da Consolidação da Independência do Brasil. A proposta ainda não foi apreciada pelo Congresso.
O próprio presidente tem reforçado a importância da data, tendo participado dos cortejos de 2022 até 2025 –este ano ele ficará fora da festa por recomendações médicas, após o tratamento de um câncer de pele.
Anos antes, em 2018, foi aprovada uma lei que inscreve no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria os nomes de Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e João das Botas como mártires da Independência, dando relevo a personagens que permaneceram à margem na narrativa sobre a Independência.
Esses atos acompanham uma transformação que ocorre na historiografia e na memória pública sobre Independência, alargando o episódio para além do 7 de setembro de 1822, quando dom Pedro proclamou a ruptura política com Portugal às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.
Nas últimas décadas, pesquisadores passaram a tratar a independência como um processo amplo. Ele foi marcado por batalhas, disputas políticas e participação popular.
Sérgio Guerra Filho destaca o caráter nacional das batalhas travadas na Bahia em 1822 e 1823, vencidas com o auxílio de contingentes militares de províncias como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe.




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