Ironbound, em Newark, é um dos bairros mais tradicionais de imigrantes nos Estados Unidos
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BBC News | BBC News Brasil
As bandeirinhas começam no topo das janelas e descem até as calçadas. Verde e amarelo do Brasil. Vermelho e verde de Portugal. Amarelo do Equador.
Nas vitrines dos restaurantes e das padarias da Ferry Street, artéria principal do bairro do Ironbound, em Newark, Nova Jersey, é difícil encontrar um estabelecimento sem ao menos uma bandeira.
A música que sai das caixas de som na calçada muda de porta em porta –cumbia, funk, reggaeton– e as camisas que passam pela rua contam a história de um torneio disputado ao mesmo tempo em três países com 48 seleções.
"Em todas as Copas que eu estou aqui, em todos esses 38 anos, essa superou todas", disse José Moreira, dono de cinco restaurantes na região, enquanto preparava o salão para receber o fluxo de torcedores que chegaria horas mais tarde. "Para o meu negócio, está maravilhoso."
O Ironbound recebe imigrantes há quase dois séculos –portugueses, italianos, poloneses, brasileiros, cabo-verdianos, equatorianos. Cada geração chegou sem muito e foi refazendo o bairro à sua imagem. Hoje, dois em cada três moradores nasceram fora dos Estados Unidos.
Desde 2025, o bairro carrega um título a mais: está oficialmente na lista do governo Trump como alvo prioritário de fiscalização de imigração.
O nome vem das ferrovias que o cercaram no século 19 –ironbound significa, em inglês, "cercado de ferro". O bairro começou a receber imigrantes nos anos 1830, com a chegada dos alemães, seguidos de poloneses e italianos no final do século.
Os portugueses chegaram a partir dos anos 1920, vindos inicialmente de New Bedford e Pawtucket, atraídos pelo trabalho nas fábricas químicas, cervejarias e curtumes. Em 1926, a Diocese de Newark já havia criado uma paróquia luso-espanhola no bairro para atender a crescente comunidade.
Em janeiro de 1995, o New York Times publicou uma reportagem de página inteira sobre o Ironbound com um título que resumia aquele momento: "In Newark, Immigration Without Fear" - "Em Newark, imigração sem medo".
O texto descrevia como as mesmas pessoas que décadas antes corriam pela Ferry Street quando uma van da imigração aparecia tinham se tornado proprietárias dos comércios ao longo da rua.
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"Se você entrar em cada negócio, um por um, quase todos começaram ilegalmente", disse ao jornal Jack Santos, dono de um restaurante no Ironbound, que havia chegado ao país sem documentação em 1966.
Três décadas depois, o Ironbound mudou –mas o ciclo recomeçou.




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