O Banco de Moçambique considera que o risco soberano do país permaneceu em nível "severo" em 2025, devido à pressão exercida pelo aumento continuado da dí...

  Na avaliação que consta do Relatório de Estabilidade Financeira de 2025, do banco central e consultada hoje pela Lusa, refere-se que o 'stock' da dívida interna aumentou 16,5% num ano, de 406.996 milhões de meticais (5,58 mil milhões de euros) em 2024 para 474.013 milhões de meticais (6.500 milhões de euros) em 2025.

"O risco soberano continuou no nível severo", assinala o banco central no documento, acrescentando que a manutenção nesse patamar resulta da "pressão sobre o endividamento público interno".

O documento identifica a dívida pública como uma das principais vulnerabilidades do sistema financeiro nacional, referindo que a pressão incidiu sobretudo sobre a componente interna da dívida, impulsionada pelo recurso a Obrigações e Bilhetes do Tesouro para financiar necessidades de tesouraria do Estado.

O Banco de Moçambique alerta ainda que os atrasos nos pagamentos do Estado comprometeram a confiança nos títulos soberanos e contribuíram para rigidez nas taxas de juro do mercado interbancário.

Num exercício prospetivo de teste de esforço para 2027, o banco central concluiu que "a elevada exposição a ativos soberanos representa o desafio mais significativo para a capitalização do setor", advertindo para os riscos associados à forte ligação entre banca e dívida pública.

Apesar disso, o índice global de risco sistémico baixou para 29,86%, permanecendo num nível considerado moderado.

Numa outra avaliação, divulgada em maio após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), o Banco de Moçambique já tinha alertado que o "elevado" volume dos atrasados e do endividamento público continua a afetar o funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária.

"O endividamento público e os atrasados da dívida interna e externa mantêm-se elevados, afetando o normal funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária", lê-se no comunicado divulgado após a reunião do CPMO.

O banco central apontou então que a dívida pública interna, excluindo contratos de mútuo e de locação e responsabilidades em mora, cresceu para 493,1 mil milhões de meticais (6.630 milhões de euros), mais 18,5 mil milhões de meticais (248,7 milhões de euros) face a dezembro de 2025.

"Persistem os atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo com as instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos, na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário e na avaliação do risco do país", referia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou em fevereiro que Moçambique "enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis", apontando os atrasos no serviço da dívida e a menor disponibilidade de financiamento para o Estado.

Nas conclusões das consultas efetuadas ao abrigo do artigo IV, o FMI assinalou que a detenção de títulos públicos pelos bancos nacionais, principal fonte de financiamento dos défices orçamentais, estagnou, enquanto o financiamento externo líquido se tornou negativo.

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