Pesquisa da Reglab atribui avanço à maior concorrência no crédito e nos serviços
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31.ago.2026 às 23h00
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As instituições financeiras digitais foram responsáveis pelo aumento de R$ 1,6 trilhão do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil entre 2016 e o primeiro trimestre de 2026, segundo estudo feito pelo Reglab (Centro de Estratégia e Regulação) para medir o impacto de mudanças regulatórias que o Banco Central fez para estimular a concorrência.
Entre as mudanças estão Pix, portabilidades e Open Finance. Este último permite compartilhar dados pessoais, bancários e financeiros entre instituições.
A pesquisa aponta que, sem as instituições digitais, o PIB do primeiro trimestre de 2026 seria 2,2% menor em termos reais, com impacto no orçamento das famílias e na atividade produtiva.
Instituições financeiras digitais oferecem serviços bancários e financeiros 100% online, sem agências físicas, como bancos digitais, fintechs e instituições de pagamento.
Encomendado pela Zetta, que representa 35 empresas de serviços financeiros digitais, o estudo é apresentado em um momento em que a agenda de inovação e competitividade do setor bancário ficou em xeque após casos de fraudes cibernéticas e envolvimento de algumas dessas instituições com o crime organizado.
O estudo será apresentado na Zetta Summit, que começa nesta terça-feira (1) em Brasília.
Segundo o estudo, o ganho elevou o consumo das famílias em R$ 982 bilhões, e o investimento agregado em R$ 371 bilhões. Clientes economizaram R$ 102 bilhões em juros no crédito livre e R$ 47 bilhões em tarifas bancárias no período.
"É um impacto em cadeia [decorrente] de quando as pessoas conseguem se bancarizar mais, usar mais crédito, ter acesso a melhores taxas e consumir mais, gerando esse efeito agregado na economia toda", diz Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.
A pesquisa do Reglab identificou que o principal motor dos ganhos macroeconômicos foi o aumento da concorrência no setor, historicamente muito concentrado em poucos grandes bancos. A entrada das instituições digitais levou as tradicionais a reduzir margens e custos, derrubando juros e elevando o consumo das famílias.
Para mensurar o impacto da digitalização financeira à economia, o Reglab utilizou o DSGE (Modelo Dinâmico Estocástico de Equilíbrio Geral), ferramenta usada por bancos centrais. A análise foi alimentada com dados históricos brasileiros para simular um cenário no qual os bancos digitais não existiam.
"Com esse estudo, a gente consegue identificar um novo fator que muito provavelmente não estava no radar de ninguém, que é justamente esse efeito da maior competição no mercado de crédito", diz Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta.
O estudo atribui o efeito sobre o PIB também à reação dos bancos tradicionais, que revisaram tarifas, margens e juros, beneficiando famílias e empresas.
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Para João Ricardo Costa Filho, do Reglab e autor do estudo, o resultado leva o debate sobre digitalização financeira à política econômica. "A regulação que visa prevenir lavagem de dinheiro, qualquer tipo de crime, ela sempre vai ser bem-vinda; A questão é como é que você desenha isso e não impede os ganhos da pressão competitiva, da ampliação de acesso, da eficiência operacional que vem com esse tipo de mudança no mercado financeiro, afirma Costa Filho.




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