Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, mostra-se particularmente preocupado com a evolução da indústria. “O aprofundamento da queda da produção indust...
O crescimento do PIB português perdeu força no Verão. O Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG de outubro de 2026 antecipa uma expansão de apenas 0,3% em cadeia no terceiro trimestre, o que representa um abrandamento de 0,6 pontos percentuais face ao “salto” registado no segundo trimestre. Em termos homólogos, o crescimento deverá situar-se nos 2,5%, menos 0,1 p.p. do que no período anterior.
Segundo o barómetro, a desaceleração é sustentada pela evolução moderada do Indicador de Tendência de Atividade Global CIP/ISEG em julho e agosto e por outros indicadores setoriais já disponíveis.
O consumo privado deverá ter mostrado alguma moderação, pressionada pela subida dos preços dos combustíveis e pelo aumento dos custos de financiamento.
Em contrapartida, o investimento deverá ter recuperado na reta final da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e a procura externa líquida deverá voltar a dar um contributo positivo, com as importações a abrandar mais do que as exportações.
Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, mostra-se particularmente preocupado com a evolução da indústria. “O aprofundamento da queda da produção industrial em agosto”, que diminuiu 3,8% em termos homólogos, foi “particularmente grave” no setor automóvel, onde a produção de veículos e componentes caiu 34,5%.
O responsável da confederação empresária alerta também para os riscos que se colocam em 2027. Na proposta de Orçamento do Estado, o investimento público deverá cair 31% com o fim do PRR, o que representa menos 4.348 milhões de euros face a 2026. “Não se vislumbra, na atual conjuntura externa e face à escassez de medidas de estímulo, como será possível que o investimento privado acelere, como o Governo prevê, para um crescimento de mais de 10% no próximo ano”, afirma Rafael Alves Rocha.
Para o quarto trimestre de 2026, o barómetro prevê uma recuperação do crescimento em cadeia, impulsionada pelo consumo privado. As medidas orçamentais recentemente anunciadas — o suplemento extraordinário de pensões e o ajuste retroativo das taxas de retenção de IRS em novembro — deverão dar algum alívio ao rendimento disponível das famílias.
Com estes dados, a CIP e o ISEG atualizam a previsão de crescimento do PIB para o conjunto de 2026 para 2,3%, num intervalo entre 2,2% e 2,4%.
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