Base da governadora Raquel Lyra se divide no apoio a candidatos ao Senado nas eleições deste ano - Foto: Arquivo/Folha de Pernambuco A disputa pelo Senado Federal em Pernambuco teve maior protagonismo nos últimos dias com o embate dentro da Federação União Progressista pela indicação do nome que concorrerá na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). A indefinição da chapa, no entanto, fez prefeitos e partidos da base se dividirem no apoio a candidatos da chapa e de fora dela.
Mesmo com a oficialização da chapa, formada pelos deputados federais Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), realizada na convenção no PSD de Pernambuco, prefeitos e partidos da base da governadora optaram por apoiar candidatos avulsos ou até da chapa de oposição.
Ontem, o Podemos declarou apoio ao deputado federal Mendonça Filho, que foi oficializado de forma avulsa como candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL) na terça-feira.
Terceira maior força política da base da governadora, com 77 candidatos a deputado federal e estadual e 11 prefeitos no estado, o partido também fechou apoio ao presidente da Federação União Progressista, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), confirmado na quarta-feira (5), na chapa governista, após convenção da federação.
Ao oficializar o apoio em um encontro de líderes na sede do partido, no Recife, o presidente Marcelo Gouveia exaltou a trajetória do parlamentar e afirmou que a legenda vai apoiá-lo em todo o estado.
“O Podemos declara apoio a Mendonça porque entende que ele é uma excelente opção para o Senado do nosso estado e vai representar muito bem o povo pernambucano em Brasília. É uma pessoa capacitada, preparada e pronta para defender Pernambuco. Vamos caminhar ao seu lado em todo o estado”, justificou.
O partido Novo de Pernambuco também anunciou apoio à candidatura de Mendonça, tendo realizado o ato de oficialização na terça (3).O partido também apresentou a postulação de Carlos Santana à Casa Alta. De acordo com o presidente da legenda, Tecio Teles, a candidatura do parlamentar se alinha com os valores do partido e rechaçou a indeia de que escolha de alguém de fora da chapa da gestora pode enfraquecê-la.
“Na verdade, fortalece. Essas alternativas estão num conjunto de forças apoiando a governadora Raquel Lyra. Respeito a decisão da governadora de ter, inclusive, dito recentemente que os seus senadores são Eduardo da Fonte e Túlio Gadelha, assim como ela respeitou a nossa decisão de seguir e a gente tem o nosso candidato que é Carlos Santana”, disse.
Também é o caso do prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), que chegou ao cargo após ser vice de Raquel Lyra entre 2016 e 2022, quando a gestora deixou a prefeitura para disputar o comando do estado.
Ele anunciou ainda em novembro do ano passado, faltando pouco menos de um ano para o pleito, que apoiaria a reeleição do senador Humberto Costa (PT). Em março deste ano, o petista foi confirmado na chapa do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), que disputa contra Raquel Lyra o cargo de governador. Esta semana, ele anunciou apoio também ao deputado federal Túlio Gadêlha.
Análise Para os especialistas, a configuração das chapas reflete mais a acomodação de interesses dos grupos políticos do que uma estratégia capaz de alterar, por si só, o resultado da eleição.
O cientista político Isaac Luna afirma que a fragmentação dos apoios aos candidatos ao Senado não deve influenciar de forma decisiva a disputa pelo Governo de Pernambuco.
"Cada região e cada liderança faz uma customização da sua chapa para preservar seus espaços de poder. Não há indícios de que essas composições, por si só, sejam suficientes para influenciar o resultado da eleição. Essa fragmentação acontece dos dois lados e é uma característica da política brasileira, especialmente no Nordeste’, explicou;
Já o cientista político Felipe Ferreira Lima avalia que a fragmentação pode ser benéfica para Raquel Lyra por alcançar eleitorados variados.
"Isso não necessariamente é negativo para a governadora, porque ela pode alcançar eleitorados distintos por meio de diferentes candidatos ao Senado. O desafio será manter unido o apoio à sua candidatura ao governo em meio a essa fragmentação, que também pode ampliar o alcance político da chapa", disse.




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