Ação do Banco do Brasil terminou cinco dos últimos seis anos eleitorais em alta, apesar da volatilidade; em 2026, recuperação convive com fundamentos mais pressionados The post BBAS3 sofre nas eleições? O que seis disputas mostram — e o alerta de 2026 appeare…

Por ser uma empresa controlada pelo governo federal, o Banco do Brasil (BBAS3) costuma ganhar atenção extra quando a corrida pelo Palácio do Planalto esquenta. Não é difícil entender por quê: uma mudança de governo pode mexer com as expectativas sobre estratégia, concessão de crédito, rentabilidade, dividendos e o próprio grau de interferência sobre o banco.

Mas os números contam uma história menos óbvia. O desempenho de BBAS3 em anos de eleição presidencial foi, na maior parte das vezes, positivo — ainda que marcado por fortes oscilações ao longo do caminho.

Nos seis anos de eleição presidencial completos entre 2002 e 2022, a ação terminou cinco no campo positivo. A única exceção foi 2002, quando recuou 2,4%. Na média, BBAS3 avançou 26,7% nos anos eleitorais, enquanto a mediana ficou em 22,9%.

Em 2026, até 14 de setembro, BBAS3 acumula valorização de 3,04%. Como o ano ainda está em andamento, esse desempenho fica de fora dos cálculos históricos dos seis ciclos anteriores.

Queda do minério e tensão política também estão entre os fatores para aversão a risco do mercado

Fonte: ProfitPro/Nelogica; elaboração: Rodrigo Paz

Olhar apenas para o retorno de janeiro a dezembro, porém, conta só parte da história.

Quando o desempenho é aberto mês a mês, fica mais claro que os anos eleitorais foram marcados por solavancos importantes — muitas vezes justamente quando a campanha começava a ganhar temperatura.

Maio terminou negativo em cinco dos seis ciclos completos, com retorno médio de -4,8%. Em junho, o padrão se repetiu: foram cinco quedas, com média de -8,6%.

Setembro também chama atenção. BBAS3 caiu em cinco das seis eleições analisadas, com retorno médio de -8,4% no mês.

Outubro mostra quase o movimento oposto. A ação subiu em cinco dos seis episódios, com retorno médio de 14,1%. Em vários ciclos, portanto, a aproximação da definição eleitoral coincidiu com uma reprecificação importante do papel.

É aí que o retrato muda: BBAS3 pode terminar um ano eleitoral em forte alta mesmo depois de atravessar correções relevantes durante a campanha.

E 2026, pelo menos até agora, está contrariando justamente um dos padrões mais recorrentes. Até 14 de setembro, a ação sobe 7,25% no mês, enquanto setembro foi negativo em cinco das seis eleições anteriores.

Abaixo, confira os dados dos meses que antecederam e sucederam o pleito eleitoral, sempre no mês de outubro.

A comparação ajuda a mostrar como um bom resultado anual pode conviver com meses bastante irregulares.

Em 2022, BBAS3 terminou o ano com alta de 33%, embora tivesse acumulado exatamente seis meses positivos e seis negativos. A média aritmética dos retornos mensais ficou em 2,7%.

Em 2018, ocorreu algo parecido. A ação disparou 51,4% no ano, mas também dividiu os 12 meses entre seis altas e seis quedas. A diferença é que outubro fez boa parte do trabalho: sozinho, o mês teve valorização de 45,3%. A média mensal daquele ano ficou em 4,7%.

Já 2026 ainda está incompleto. Até 14 de setembro, são quatro meses positivos e cinco negativos, com média mensal de 0,7%. Mesmo com BBAS3 no azul no acumulado do ano, portanto, os meses de baixa ainda são maioria.

Vale uma ressalva: essa média mensal é uma média aritmética simples dos retornos e não corresponde ao ganho acumulado do ano, que incorpora a composição sucessiva das altas e quedas.

Nos ciclos anteriores, o padrão de alternância também aparece com força.