As casas de apostas autorizadas pelo governo federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos de brasileiros durante 2025. Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Fazenda após um pedido feito por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgados pelo jornal…

As casas de apostas autorizadas pelo governo federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos de brasileiros durante 2025. Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Fazenda após um pedido feito por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgados pelo jornal O Globo.

A média mensal foi de 9,25 milhões de apostadores. Outubro registrou os dois maiores números do ano: 10,82 milhões de pessoas fizeram apostas e R$ 21,3 bilhões foram depositados nas plataformas. O total mensal não deve ser somado para calcular usuários únicos, porque uma mesma pessoa pode aparecer em diferentes períodos.

O primeiro ano completo do mercado federal regulado terminou com cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta e 25,2 milhões de apostadores. A nova informação revela o volume de depósitos que alimentou essa receita. Os dados são preliminares, abrangem somente as empresas autorizadas e ainda passarão por conferência da Fazenda.

A receita bruta correspondeu a 16,7% dos depósitos, enquanto 83,3% retornaram em prêmios e bônus. Essa proporção não deve ser confundida com lucro líquido nem tratada automaticamente como descumprimento de um teto geral. As regras técnicas da Fazenda estabelecem retorno teórico mínimo de 85% durante a vida útil esperada de cada jogo online certificado, cálculo diferente da comparação anual entre todos os depósitos e pagamentos do mercado — que também inclui apostas esportivas.

Também é diferente da divisão legal do GGR. Em 2025, 12% da receita bruta eram destinados às finalidades públicas previstas em lei. A Lei Complementar 224, sancionada no governo Lula, elevou gradualmente essa parcela para 13% em 2026 e 14% em 2027, chegando a 15% a partir de 2028. As empresas ainda recolhem os demais tributos incidentes sobre suas atividades.

O Sigap, sistema usado pela Fazenda para receber e acompanhar os dados do setor, também passou a embasar punições. Nesta semana, a Secretaria de Prêmios e Apostas adotou medidas cautelares contra sites ligados a seis operadoras. Na maior parte dos casos, o órgão apontou falhas no envio ou no processamento de informações obrigatórias pelo sistema.

As bets não foram criadas pelo atual governo: as apostas de quota fixa foram legalizadas pelo Congresso em 2018. A regulação implantada durante o governo Lula, porém, estabeleceu autorização federal, domínio “.bet.br”, transmissão de dados ao Sigap e mecanismos para suspender operadores. Os R$ 220,6 bilhões agora expostos mostram a dimensão do desafio seguinte: fiscalizar o dinheiro, ampliar a arrecadação pública e impedir que um mercado desse tamanho continue produzindo endividamento e dependência sem proteção para as famílias.