Os principais índices das bolsas de Nova York abriram em queda, pressionados pelas perdas nas ações de tecnologia e pela disparada nos mercados de renda fixa globais, além dos preços elevados do petróleo. O rendimento dos títulos de Treasuries de 30 anos ultr…

As bolsas de Nova York operam em queda, com perdas nas ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial (IA) e alta nos preços do petróleo, em meio à redução das expectativas de que um acordo entre Estados Unidos e Irã seja alcançado em breve. O mercado global de renda fixa segue pressionado, embora as taxas de Treasuries tenham devolvido parte das altas.

Por volta de 13h10 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,16%, a 53.373,31 pontos; o S&P 500 recuava 0,50%, a 7.706,52 pontos e o do Nasdaq Composto tinha queda de 1,06%, a 26.361,26 pontos. A Sandisk caía 8,26% e se destacava, seguida pela Western Digital, em queda de 6,82%. Os Estados Unidos se aproximam do fim da temporada de balanços, com o resultado do Walmart, na quinta-feira, no radar, importante para avaliar o comportamento do consumidor e a demanda das famílias.

Já o índice DXY – que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas de países desenvolvidos – seguia estável (-0,03%), a 99,61 pontos. O rendimento da T-note de dois anos caía a 4,181%, de 4,182% no fechamento anterior, enquanto o da T-note de dez anos recuava de 4,726% para 4,717%. Na ponta longa, a taxa do T-bond de 30 anos tinha queda para 5,296%, de 5,306%.

O mercado global de renda fixa estava pressionado mais cedo, com a disparada das taxas no Japão, e após o leilão de T-bonds de 30 anos da semana passada registrar o maior rendimento desde 2001, além da forte oferta de títulos corporativos, especialmente de empresas de tecnologia que financiam a expansão da infraestrutura de IA.

“As preocupações com a inflação contribuíram para que os rendimentos dos títulos de longo prazo atingissem novas máximas em vários anos”, diz o Deutsche Bank, em nota. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos fechou ontem em 5,31%, no maior nível desde 2007, e no pregão de hoje devolve parte dos ganhos.

Nos mercados de commodities, o petróleo Brent para entrega em outubro subia 0,65% a US$ 91,46 por barril, e o WTI para o mesmo mês avançava 0,88% a US$ 84,48, impulsionado por novas incertezas em relação ao conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu não estender o acordo de paz com Irã, e disse que não há negociações em curso.

“As declarações mais recentes entre Estados Unidos e Irã indicam um cenário ainda indefinido sobre possíveis acordos de cessar-fogo e mantêm as preocupações em torno do Estreito de Ormuz”, diz o coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita. Com as duas partes ainda distantes de um acordo, os investidores se tornaram pessimistas quanto à possibilidade de o Estreito de Ormuz ser reaberto em breve, afirma o Deutsche Bank.

Na agenda econômica, a semana é mais esvaziada, e principal destaque será amanhã, com a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), que deve trazer mais detalhes sobre a visão dos formuladores de política, pontua Yamashita. Investidores aguardam ainda declarações de autoridades do Fed no simpósio de Jackson Hole na próxima semana, embora sem muita expectativa por sinalizações do presidente Kevin Warsh.