MEC divulga dados do principal indicador da educação brasileira; somente alunos do 1º ao 5º anos têm nível adequado de aprendizagem em Português e Matemática
BRASÍLIA- O Brasil avançou em todas as etapas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador para medir a qualidade do ensino brasileiro, mas não conseguiu atingir as metas que deveriam ter sido alcançadas pelos anos finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano) e do médio ainda em 2021.
Os dados do Ideb 2025 foram anunciados nesta quarta-feira, 5, pelo Ministério da Educação (MEC). O Ideb é divulgado a cada dois anos e leva em conta a nota obtida pelos estudantes em avaliações de Português e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pelo fluxo escolar, ou seja, as informações de aprovação e reprovação. As notas do Ideb variam de 0 a 10.
O Ideb pactuou metas para todos as etapas de 2007 até 2021. Ao fim do ciclo, porém, nem a gestão Jair Bolsonaro nem gestão Luiz Inácio Lula da Silva definiram novas metas para o índice. Com isso, as metas de referência continuaram sendo as de 2021. O MEC afirmou que em outubro definirámini os parâmetros para estabelecer novas metas para o Ideb.
Nas últimas décadas, o Brasil ampliou o acesso à escola, mas avança a passos lentos na melhora da aprendizagem, o principal gargalo para formar melhor as crianças e adolescentes e preparar os jovens para o mercado do trabalho. Segundo especialistas, as avaliações são cruciais para medir o êxito de políticas públicas e replicar iniciativas exitosas.
Os anos inicias do ensino fundamental concentram o melhor desempenho do País no indicador. Em 2025 a etapa registrou Ideb 6,3, alta em relação à nota 6 obtida em 2023. Na divulgação passada a etapa havia alcançado a meta fixada para 2021 (6 pontos).
É a única etapa da educação básica a atingir a meta e em que os alunos têm nível adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática (leia mais abaixo).
Nos anos finais, apesar do avanço da nota, o País ainda não atingiu os 5,5 pontos previstos para 2021. No Ideb de 2025, o fundamental 2 ficou com nota 5,3 acima dos 5 pontos registrados em 2023.
Nos últimos anos, o País tem focado em políticas voltadas para o ensino médio, como a ampliação do tempo integral e a reforma da etapa, que flexibilizou o currículo e propôs mais integração com a educação técnica.
Além disso, o atual governo criou o Pé-de-Meia, programa que dá auxílio financeiro para que os jovens permaneçam na escola - a evasão é um gargalo histórico do ensino médio, com o abandono de adolescentes que conseguem emprego, engravidam, dentre outros fatores.
Apesar desses investimentos, o último ciclo do ensino básico segue como a etapa mais distante da meta de 5,2, estabelecida em 2021. No ano passado, o Brasil alcançou a nota 4,5, um pouco maior que os 4,3 registrados no Ideb 2023.
"Sobre não alcançar as metas, fico tranquilo com isso, porque a gente tinha de trocar o pneu do carro com o carro em movimento. Quando tem de trabalhar fluxo e acesso ao mesmo tempo (em) que (trabalha) a proficiência é natural que tenha muitas dificuldades", afirmou o ministro Leonardo Barchini.
Ele disse ainda que o Brasil avançou em ritmo mais acelerado do que o esperado, considerando o impacto da pandemia na Educação. "A gente conseguiu nesses quatro anos fazer aquilo que estava previsto para fazer em 10 anos."
Em relação ao ensino médio, os representantes do MEC afirmam que os impactos das políticas implementadas pelo governo federal na etapa ainda não foram captados nesta edição do Ideb, mas devem refletir na próxima avaliação.
"Em 1988, 7% dos estudantes até 19 anos terminavam o ensino médio. Agora, são 80%. É uma escola tardia no Brasil, a gente está aprendendo a fazer o ensino médio agora."
O ministro afirmou que o fato de o País não ter batido metas de 2021 nos anos finais e no médio não impedirá o MEC de traçar objetivos ousados para o Ideb. Barchini também elogiou Estados que pontuaram bem na avaliação, independentemente do espectro político.
"Temos experiências espetaculares. A gente tem na direita Goiás e Paraná, temos na esquerda Ceará e Piauí. Temos exemplos de que é possível fazer. As metas serão ousadas, porque agora não temos mais esse problema do fluxo (taxa ligada à reprovação e ao abandono escolar) e em muito menor escala temos o problema do acesso, mas vamos resolver", disse.
As escolas privadas, por sua vez, patinam na evolução do Ideb. Na contramão do avanço registrado na rede pública, as escolas particulares retrocederam no indicador para os anos iniciais do ensino fundamental. Enquanto em 2023, essa rede registrou Ideb 7,2, nesta edição recuou para 7,1.
Na etapa seguinte, após a estagnação registrada na última edição, o Ideb do 9º ano aumentou de 6,3 para 6,4 chegando ao mesmo índice verificado pela rede em 2019, no período antes da pandemia.
O ensino médio foi a etapa com maior aumento em comparação com 2023. A rede, porém, não conseguiu chegar ao patamar pré-pandemia, quando teve Ideb 6 em 2019. Na edição mais recente da avaliação, a nota da rede privada para a etapa foi de 5,8, ante 5,6 registrado em 2023.
Os dados mostram melhoria na aprendizagem em Português e em Matemática, mas só nos anos iniciais do fundamental os alunos têm nível adequado de aprendizagem. Nos anos finais do fundamental e no médio, o nível de aprendizagem é básico, conforme a escala de proficiência construída pelo Todos pela Educação com base na matriz do Saeb.




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