Washington sancionou dois brasileiros e três empresas por ligação ao PCC. Brasília rejeita as medidas e alerta para riscos de restrições a instituições financeiras brasileiras.
O Brasil criticou esta quinta-feira a decisão do Governo norte-americano de sancionar dois brasileiros e três empresas por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de classificar este como o maior grupo criminoso do Ocidente.
Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções a dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por supostamente lavar dinheiro para o PCC nos Estados Unidos.
É a primeira vez que brasileiros são alvos de sanções deste tipo, desde que Washington classificou a fação criminosa como organização terrorista global no mês passado.
Com visão semelhante, o maior especialista do Brasil em PCC, o promotor de Justiça do Ministério Público do estado de São Paulo Lincoln Gakiya, que investiga o grupo criminoso há quase 30 anos, estranhou a decisão dos EUA.
Em entrevista à imprensa brasileira, Gakiya considerou que o MP de São Paulo não possui qualquer elemento que ligue Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira ao PCC.
Tal como outras autoridades do Governo federal brasileiro alegaram, Gakiya destacou que não houve pedido de cooperação e nem partilha de informações por parte dos EUA.
OS EUA afirmam que Shimada lavou 30 milhões de dólares (cerca de 26 milhões de euros) para o PCC na Flórida, enquanto Stella é apontada como secretária e colaboradora dele.
Já as três empresas no Brasil e uma em Portugal, segundo os EUA, atuavam a mando de Shimada e eram controladas pelo brasileiro.


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